Devolvam nosso Oscar!
Escrevi na rede social, ligando meu botão saudosista: sou do tempo em que a solenidade era na segunda-feira à noite e varava a madrugada.
Demorei a escrever sobre o Oscar-2026 porque, desgostoso, contaminei-me pela desídia. Estava insatisfeito. A 98ª edição do (ainda) maior prêmio do cinema cutucou-nos, adoradores da Sétima Arte. Fomos provocados com maldades, infantilidades ignorantes. Exemplo: esquecimento, proposital, de Brigitte Bardot na homenagem aos falecidos. A Academia de Artes não aprovava o posicionamento político dela. Com Alain Delon, ano passado, a mesma coisa – curiosamente também estrela francesa e de posicionamento político conservador. Elucubrei uns instantes.
Escrevi na rede social, ligando meu botão saudosista: sou do tempo em que a solenidade era na segunda-feira à noite e varava a madrugada. Não sou Matusalém, bem dizer. O derradeiro Oscar numa segunda aconteceu em 23/3/1998, festa número 70. A Academia, idealizada em meados dos anos 1920 e criada no fim daquela década, existia, lá atrás, para somente celebrar o cinema americano, com autoelogios, auto festejos. Ambiente hermético, tal qual o 'Troféu Roquette-Pinto' na Record (anos 60), onde premiados eram só da emissora, e 'Melhores do Ano' (Globo). As comparações, esdrúxulas, servem para ilustrar.
Após 28 eventos, 1957, conselheiros do Oscar resolveram dar 'colher de chá' aos forasteiros: criaram a categoria 'Filme Estrangeiro'. Havia justificativas: lendas, então vivas, da telona. Fellini e DeSica (Itália), Kurosawa (Japão), Truffaut e Godard (França), Lang (Alemanha), Bergman (Suécia), dentre outros, tinham a oportunidade da consagração, apesar de os 3 primeiros conseguirem a proeza de serem indicados antes como Melhor Diretor ou Melhor Filme, quebrando o hermetismo, impondo-se por serem ótimos.
Não se fazem mais lendas vivas como antigamente, aliás. Outro (a) Chaplin, Bette Davis, Marilyn, John Wayne, Bogart, Audrey Hepburn, James Dean, Brando, Nicholson, e 'novos', como Tom Hanks, Meryl Streep, Scorsese, Spielberg? Esqueçam. Nunca mais. Contentemo-nos com a mediocridade atual, nivelada rasteiramente. Hoje, para se atender à diversidade (vomito aqui), cotizam-se quesitos ('Fulano tem de ganhar por ser preto/trans/mulher/asiático/árabe'). Ser o melhor não interessa mais. Rubens Ewald Filho seria 'cancelado' todo ano pelos comentários irônicos. Difícil. Devolvam nosso Oscar!
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