Sábado, 22 Agosto 2026

Hitchcock não curtiu

Hitchcock não curtiu

O enredo é complexo e denso: gangue de criminosos se esconde numa velha casa, aparentemente desabitada, após roubar joia. 

Alfred Hitchcock contava pouco mais de 10 anos de carreira quando adaptou à telona a peça de teatro 'O Mistério do Número 17'. O longa-metragem, lançado em 1932 (disponível, de graça, no streaming Pluto TV), foi já o seu 20º trabalho como diretor – informação impressionante se relacionarmos o ritmo de produção da Sétima Arte até então – o cineasta começara, em 1920, aos 31 anos, como uma espécie de designer de títulos e intertítulos dos filmes.

O enredo é bastante complexo e denso (estou sendo bem simpático na avaliação): gangue de criminosos se esconde numa velha casa, aparentemente desabitada, após roubar joias; lá está um mendigo trapalhão, logo cooptado pelo detetive, que entra na moradia para investigar. Os personagens, então, começam a adentrar nas cenas de forma abrupta, confusa. E, do mesmo jeito, somem sem dar satisfações. Não são desenvolvidos como era de se esperar. A segunda parte, pode-se dizer, é mais 'aventureira': trata-se da perseguição ao grupo de bandidos num trem em movimento.

Hitchcock, décadas depois, confessou ter odiado rodar esta fita. Seus fãs também a detestaram. A edição é malfeita, o script se embanana todo a certa altura e a direção do 'Mestre do Suspense' mostra pontos até mesmo infantis. Aliás, o começo dos anos 1930 para ele foi péssimo. Havia fracassado em outro longa e precisou topar 2 projetos de estúdio para ganhar algum dinheiro. Um deles foi 'O Mistério...', com sequências caóticas e malucas, totalmente inverossímeis, ou sem ligação com a cena anterior.

Quase 90% da ação é ambientada na tal casa. A sensação que fica é a de querer contar os minutos, pois a monotonia impera em certos instantes. No trem, existem determinados relâmpagos de sanidade, logo jogados no lixo pela inexperiência de Hitchcock, desgostoso com esta 'obrigação' de dirigir a obra. Sobre o elenco, destaquezinho para Leon Marks Lion, protagonista da história no teatro e produtor dela para o cinema. Duração: 63 minutos. Cotação: ruim. 

 

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