25 anos depois
Lá atrás, só os melhores vingavam e venciam, por mérito, como deve ser. A concorrência era gigantesca.
A festa do Oscar hoje é um porre, vide as últimas 10/15 edições. Discursos lacradores, premiações por cotas (mesmo se a atuação do ator/atriz for um desastre), filmes-porcaria 'engajados' etc. Mas há até 25/30 anos não era assim. Lá atrás, só os melhores vingavam e venciam, por mérito, como deve ser. A concorrência era gigantesca. Peguemos o caso exatamente de 2001. 'Uma Mente Brilhante', cinebiografia do matemático esquizofrênico John Nash (ganhador do Nobel em 1994), é arrebatador, impecável.
Russell Crowe, no papel principal, não levou a estatueta (conquistara-a no ano anterior, por 'Gladiador', e perdera-a em 1999, por 'O Informante') porque tinha um adversário à altura: Denzel Washington, policial corrupto de 'Dia de Treinamento'. Já Jennifer Connelly, na pele da esposa de Nash, ficou com o prêmio de coadjuvante, batendo duas veteranas (Maggie Smith e Helen Mirren, ambas por 'Assassinato em Gosford Park), a ainda queridinha de Hollywood por 'Titanic' (1997), Kate Winslet ('Iris'), e Marisa Tomei ('Entre Quatro Paredes'). 'Uma Mente Brilhante' conseguiu os troféus de Filme, Roteiro Adaptado e Direção (Ron Haward, de 'Frost/Nixon', 2008).
Revi 'Uma Mente Brilhantes' algumas semanas atrás e não me contive em analisar o quão caiu a qualidade das fitas filmadas a partir da década passada. Chega a ser constrangedor verificar que há um tempo o nível das produções está nivelado por baixo e que existe espaço para falar de 'diversidade' (cada vez que leio ou ouço alguém pronunciar esta palavra tenho ânsia de vômito) e 'reparação histórica' (nesta expressão eu vomito mesmo).
Quando a trajetória de Nash foi aos cinemas, e não faz tanto tempo assim, a internet engatinhava, era discada, os celulares só serviam para fazer ligações, falar em memes era pedir para comprar aqueles confetes de chocolate e imaginar o que seriam os reality shows era coisa de maluco. O planeta ficou mais burro. E agora temos a inteligência artificial para acabar de piorar. Duração: 135 minutos. Cotação: ótimo.
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