Amantes de Mercedes
Poetisa, dramaturga e romancista nascida em Nova Iorque, teve uma ficha corrida daquelas.
A morte de Mercedes de Acosta completou 58 anos em 9 de maio (aos 76). Ninguém, hoje em dia, sabe qualquer coisa dela. Poetisa, dramaturga e romancista nascida em Nova Iorque, teve uma ficha corrida daquelas. Não de casos policiais, mas de relacionamentos homossexuais com artistas de fama mundial. Atentem ao quinteto mágico: Alla Nazimova (atriz russa), Isadora Duncan (bailarina), Eva le Gallienne (atriz e tradutora britânica), Greta Garbo (estrela de Hollywood) e Marlene Dietrich (estrela alemã – atriz e cantora).
Estas celebridades compartilharam a cama com Mercedes entre as décadas de 1910 e 1950. Sem precisar escamotear a sexualidade, por incrível que pareça, ela capturou a elite da Broadway. Mesmo ao se casar, por conveniência, com o pintor Abram Poole, em 1920, seguiu pulando a cerca sem pensar duas vezes. Namorou Eva por 5 anos. Escreveu duas peças de teatro especialmente a ela – as histórias fracassaram e a dupla terminou o affair.
Em 1960, após descobrir tumor cerebral, resolveu jogar a biografia no ventilador porque precisava de dinheiro para se tratar. Lançou, então, o livro 'Aqui Jaz um Coração: A História de Minha Vida'. Nas páginas relatou, de maneira disfarçada (mas nem tanto), os enroscos com as citadas aqui e outras mais. O principal romance foi com Garbo que, ao ler o livro, ficou possessa – ao contrário de Dietrich, que continuou se correspondendo com Mercedes e aprovou suas palavras.
Alice Toklas, escritora americana, também lésbica (foi amante de Gertrude Stein), definiu bem Mercedes, depois de os críticos malharem (talvez por inveja) seu livro, lascivo demais à época: 'Digam o que quiserem, mas Mercedes teve as mulheres mais importantes do século 20'. O livro fez sucesso somente quase 10 anos depois de lançado. Na política também marcou terreno. Liberal fervorosa, combateu, por exemplo, a Guerra Civil Espanhola (1936) e lutou pelo voto feminino. Vanguardista, tornou-se vegetariana. Por respeito aos animais, recusou-se a usar casacos de pele. Mercedes morreu pobre.
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