Quarta, 01 Dezembro 2021

O clássico 'terrir'

O clássico 'terrir'

A história se passa no fim do século 19, quando uma funerária passa por dificuldades financeiras.  

Se na semana passada escrevi sobre um filme que enganou o público ao anunciar Boris Karloff e Bela Lugosi juntos, o que você diria de um que agrupasse Karloff, Vicent Price e Peter Lorre? Sim, em 'Farsa Trágica' (1963, 'Comédia do Terror' no título original - na íntegra no youtube) isso ocorre, e num longa-metragem típico do 'terrir', o terror que insere a comédia no meio com aquele humor negro que todos nós gostamos.

E eles contracenam, o que não ocorreu com Karloff e Lugosi em 'Sexta-Feira 13'. Neste caso, há mais a comicidade do que qualquer coisa. A história se passa no fim do século 19, quando uma funerária passa por dificuldades financeiras. Os proprietários são o bêbado Trumbull (Price) e o sogro Amos (Karloff), velho decrépito surdo e dorminhoco. Trumbull é marido de Amaryllis (a bela loira Joyce Jameson), que paquera Gillie (Lorre), empregado único da funerária.

Ela é destratada pelo cônjuge e quebra copos da casa com seus gritos agudos (sonha em ser cantora de ópera). A solução encontrada por Trumbull e Gillie para salvar a empresa da falência é provocar a morte das pessoas para, assim, organizar velório e enterro e receber algum dinheiro. Mas é claro que a ideia jamais é bem executada.

A partir daí tudo começa a degringolar. 'Farsa Trágica' foi um dos derradeiros trabalhos do diretor francês Jacques Tourneur e tem momentos hilários protagonizados pela dupla Price-Lorre. Um deles é a tentativa de invadir uma casa e, para a tarefa, Gillie precisa escalar um telhado.

Lorre, que morreria meses após a finalização do filme, aos 59 anos de derrame cerebral, estava bem mais gordo de quando encarnou o assassino de crianças em 'M: O Vampiro de Düsseldorff' (1931), e isso deixou a sequência do telhado mais engraçada ainda, pois era no magro Price que ele se apoiava.

Essas estrelas do terror, incluindo Karloff, precisavam de dinheiro naquela década de 1960 e topavam atuar em qualquer script, mesmo que fosse bastante humilhante passar por determinadas situações, como a do personagem de Boris Karloff, que mal se mexe durante todo o filme. Duração: 84 minutos. Cotação: bom. 

 

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