Quarta, 01 Dezembro 2021

Fedido, porém sábio

EditorialComportamento

Fedido, porém sábio

O disparate do Fundão é ser três vezes maior daquele dotado nas eleições anteriores

A maioria de nós conhece a antiga parábola do 'bode na sala': Um chefe de família que também a conhecia, cansado de ouvir reclamações de todo tipo do pessoal da casa quanto a má estética da sala de visitas, amarra um bode velho no pé da mesa principal. Demorou poucos dias para todos praguejarem contra o animal incômodo e fedorento. Então, o homem retirou o bode, limpou o recinto e todos pararam de reclamar. Houve até quem achasse a sala 'aconchegante'.

Semana passada fomos surpreendidos com a aprovação pelo Congresso Nacional do valor do Fundão Eleitoral (não confundir com 'Fundo Partidário', que é outra coisa) que passou dos R$2 bilhões da eleição de 2020 para R$6 bilhões, em números redondos. O dinheiro será distribuído aos partidos segundo a representação de cada um no parlamento; os partidos o repassarão aos candidatos para gastos nas respectivas campanhas.

O disparate do Fundão é ser três vezes maior daquele dotado nas eleições anteriores. Por isto provocou indignação nacional, principalmente por estarmos em plena pandemia de coronavírus, com gente morrendo, empresas fechando e milhares desempregados. Diante da reação, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vem declarando nos últimos dias que vai vetar o projeto quando chegar a ele para sanção. Se isto ocorrer, caberá ao Congresso aprovar a matéria e arcar com o ônus.

Aí entra o 'bode'. Conhecedor da condescendência do eleitor brasileiro – muitos destes mais preocupados com as postagens na internet que com os destinos da nação –, políticos dirão que 'atendendo ao clamor do povo, nós, deputados e senadores, estamos dispostos a diminuir o valor, para cerca de R$4 milhões'. Provavelmente este seria o valor acordado inicialmente entre eles, mas sem 'o bode' de R$6 milhões a grita seria pelos R$4 bilhões. Percebe?! Os idealizadores da jogada entendem que assim todos acabam satisfeitos. Nem todos; o bode certamente não.

É a nossa opinião.

 

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