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O Enem que faz o elo

O Enem que faz o elo

A prova inicia-se com questões de língua estrangeira. Para quem não é versado em inglês, existe a opção espanhola. 

Nos últimos dois domingos, realizou-se o Exame Nacional do Ensino Médio, prova responsável pelo ingresso de estudantes em universidades públicas brasileiras.

A prova inicia-se com questões de língua estrangeira. Para quem não é versado em inglês, existe a opção espanhola. Ambas com questões sobre Cuba, com direito a texto de Eduardo Galeano.

Aliás, todas as questões do caderno de Humanas apresentam citações de fontes como o coletivo Mulheres de Vermelho pela Igualdade de Gênero, Michel Foucault, Luiz Fernando Veríssimo e Maria Firmina dos Reis, a primeira escritora afro-brasileira.

Há textos sobre inclusão científica de surdos, crítica à linguagem culta, prática feminina de skate, idiomas indígenas reprimidos, censura à ostentação digital e ode à vacinação estatal de animais domésticos.

Não é que a literatura nacional parou no tempo, mas o Diário de Uma Favelada não poderia faltar. Antônio Prata, que é jovem e apoia a campanha de despolitização da camiseta da Seleção, também está lá.

A arte moderna, sempre decantada em verso e prosa, foi tema recorrente. Já a redação esperava dos candidatos uma postura de cobrança para que o Governo (sempre ele) defenda as quebradeiras de coco babaçu, apanhadores de flores sempre-vivas e, de reboque, salve o planeta do desastre climático.

Depois da dissertação, vinham questões sobre racismo estrutural, crítica ao modo de ocupação do espaço amazônico e até sobre as providências estatais para crescimento do público leitor feminino.

Para que não se comprometa o empoderamento leitor do segmento mulíebre, torce-se para haver passado despercebido o erro de concordância verbal, em trecho do texto II da questão 56 do caderno azul: 'parcela significativa dos estudantes não têm acesso à internet' (sic).

No primeiro domingo, para gabaritar no Enem, não foi necessário prévio estudo de matérias curriculares. Às citações eram ofertadas alternativas de resposta curta. Bastava o candidato elementar interpretação de texto. Ou seja, saber ler.

Fora a falta de conteúdo, os textos apresentados e as respostas aguardadas tinham viés ideológico invariavelmente alinhado a um pensamento de extrema-esquerda.

Pior que um vestibular indigente ou intelectualmente subnutrido. É, em realidade, um processo seletivo de novos militantes. 

 

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Sábado, 02 Março 2024

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