Sábado, 24 Janeiro 2026

Justiça não chama no WhatsApp

Justiça não chama no WhatsApp

Quem é enganado não perde apenas dinheiro. Perde tempo, tranquilidade e, muitas vezes, a disposição de buscar reparação judicial.

Golpes digitais não são novidade, mas a sofisticação recente deles vem produzindo um efeito colateral grave: a erosão da confiança das pessoas no próprio sistema de Justiça. Quem é enganado não perde apenas dinheiro. Perde tempo, tranquilidade e, muitas vezes, a disposição de buscar reparação judicial. 

O roteiro costuma ser o mesmo. O estelionatário se apresenta como alguém ligado ao Judiciário, informa que há valores a receber, um processo "andando" ou uma pendência urgente, e condiciona a liberação a um pagamento. A vítima, pressionada pela urgência e pela suposta autoridade de quem fala, paga. Quando percebe o golpe, além do prejuízo financeiro, vem o constrangimento e a frustração de ter sido enganada usando justamente o nome da Justiça.

Nesse contexto, o alerta recente do Superior Tribunal de Justiça é mais do que oportuno. O STJ informou que criminosos estão entrando em contato via aplicativo de WhatsApp, usando fotos e nomes associados ao tribunal competente, fingindo prestar atendimento judicial. O recado é direto: o STJ não tem canal de atendimento judicial pelo WhatsApp, não entra em contato sem provocação do interessado e, sobretudo, não pede dinheiro, senhas ou dados pessoais.

O tribunal esclarece que um dos canais oficiais de atendimento é o Balcão Virtual, feito pela plataforma Zoom, sempre mediante solicitação formal. Se houver necessidade de outros contatos, eles ocorrem por e-mail institucional. Qualquer coisa fora disso deve ser tratada como suspeita. A lição prática é simples e dura, pois processo não se resolve por mensagem de aplicativo e tribunal não cobra taxa para "liberar" nada. Se alguém usa a palavra "urgente" e pede dinheiro em nome da Justiça, a chance de ser golpe é próxima de cem por cento.

Desconfiar, checar e não pagar é hoje uma forma básica de autoproteção jurídica. E, quando o golpe acontece, denunciar e buscar orientação profissional continua sendo essencial para impedir que o prejuízo se multiplique em novas vítimas. 

 

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