Idosos lotam emergências com avanço das doenças respiratórias
Levantamento mostrou que 88% dos prontos-socorros registraram aumento da procura após queda das temperaturas.
Os prontos-socorros de hospitais registraram crescimento na procura por atendimento por doenças respiratórias em comparação ao ano passado. Pesquisa realizada pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios de São Paulo (SindHosp) revela que 88% das unidades de saúde do estado tiveram aumento desse tipo de atendimento nos últimos dias anteriores à data do levantamento, que aconteceu de 3 a 15 de junho.
No mesmo período do ano passado, 74% (14 pontos percentuais a menos) relataram crescimento da procura de pacientes com as chamadas Síndrome Respiratórias Agudas Grave (SRAG).
O levantamento apontou ainda que o maior crescimento de casos foi entre idosos de 60 a 80 anos, pulando de 7% para 14%. A pesquisa ouviu representantes de 91 hospitais associados ao sindicato em todo o estado.
Neste ano, entretanto, o avanço na demanda pelos prontos-socorros não se traduziu em uma pressão equivalente sobre os leitos hospitalares. Em 2025, 85% dos hospitais relataram aumento de pacientes internados com SRAG. Em 2026, esse índice foi de 68%.
MAPA DAS DOENÇAS
O mapa das doenças que mais levaram pacientes às internações também se redesenhou de um ano para o outro. Em 2025, a pneumonia bacteriana ou viral liderava com folga, respondendo por 39% das internações, seguida pelas viroses respiratórias em geral — como Influenza e Covid-19 —, com 32%. Em 2026, essa ordem se inverteu: as viroses respiratórias assumiram o topo, com 31% das menções, enquanto a pneumonia recuou para 16%.
As crises de asma e exacerbação de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) também tiveram crescimento, passando de 7% para 15%.
PERFIL DO PACIENTE
Em ambos os anos, a faixa etária de 30 a 50 anos concentrou a maior parte dos casos — 65%, em 2026, e 68%, em 2025. Mas uma mudança significativa ocorreu entre os pacientes mais velhos: os atendimentos na faixa de 60 a 80 anos dobraram, de 7% para 14%.
Entre as crianças, houve leve crescimento na faixa de 5 a 11 anos — de 3% para 8% —, enquanto os atendimentos de bebês e crianças de até 4 anos permaneceram estáveis, em torno de 8% e 9%, respectivamente.
"Com o inverno em curso, autoridades sanitárias e gestores hospitalares têm diante de si dados concretos para orientar ações preventivas e reforçar a capacidade de resposta nas próximas semanas", afirma Francisco Balestrin, presidente do SindHosp.
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