Em um Estado Democrático de Direito, investigar não significa condenar. Significa cumprir o dever de esclarecer os fatos.
A decisão do Ministério Público de instaurar uma investigação para apurar a denúncia envolvendo o vereador Marcelo Dantas (Podemos) merece a atenção da sociedade. Não porque represente uma condenação antecipada, mas porque evidencia que os fatos apresentados justificam uma apuração por parte do órgão responsável pela defesa do interesse público.
Em um Estado Democrático de Direito, investigar não significa condenar. Significa cumprir o dever de esclarecer os fatos, reunir provas, ouvir os envolvidos e, ao final, concluir se houve ou não irregularidade.
A sociedade também deve compreender que a atuação do Ministério Público é independente e não se confunde com manifestações políticas ou decisões administrativas adotadas por outros órgãos como, por exemplo, a da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, que através de seu relator, o vereador Paulinho dos Condutores, ignorou as provas apresentadas. Cada instituição possui competências próprias, e o trabalho de uma não substitui o da outra.
Quando há suspeita de utilização inadequada da estrutura pública, a resposta esperada das instituições é justamente a apuração técnica, imparcial e fundamentada. O silêncio ou a omissão seriam muito mais prejudiciais ao interesse coletivo do que uma investigação conduzida dentro dos limites da lei.
Da mesma forma, é indispensável preservar o direito de defesa. Nenhum cidadão, ocupando ou não cargo público, pode ser considerado culpado antes da conclusão das investigações e da eventual manifestação da Justiça. Esse princípio deve ser respeitado sempre.
O que não pode ocorrer é o esquecimento de casos que despertaram grande interesse público. A população tem o direito de acompanhar o andamento das investigações e de conhecer seus desdobramentos, qualquer que seja o resultado.
Mais do que um caso envolvendo um agente político, esta investigação reafirma um princípio que deve valer para todos: a correta aplicação dos recursos públicos exige fiscalização permanente, transparência e responsabilidade. Quando cada instituição cumpre o seu papel, quem ganha é a sociedade, que fortalece a confiança nas leis e na democracia.
É a nossa opinião.