Sábado, 18 Julho 2026

Censura a rodo

Censura a rodo

A narrativa tem entrevistas com ativistas, ex-funcionários públicos, especialistas, como Michael Shellenberger e Mike Benz.

O documentário 'Complexo de Deus: A Ascenção da Máquina de Censura Americana' (2025, Brasil Paralelo) é mais um soco no estômago que temos de encarar. Primeira obra do BP lançada internacionalmente, investiga, desta vez, como agências governamentais e empresas tecnológicas se uniram para, de forma ditatorial, com pretexto da segurança e 'combate à desinformação' (fake news), controlar discurso público nos EUA e como tal malignidade se espalhou pelo mundo. Chamando as coisas pelos nomes: censura, cerceamento a opiniões, prisões ilegais, banimento de perfis de redes sociais, desmonetização de conteúdo na internet. Soa familiar a nós, brasileiros, não? Em pleno século 21, voltamos à Idade Média.

O humorista e escritor Millôr Fernandes dizia: 'Toda ideologia, quando bem velhinha, vem morar no Brasil'. Ele estava certíssimo não somente sobre ideologias – também de modismos irregulares-patéticos da chamada Patrulha do Politicamente Correto. A narrativa de 'Complexo de Deus' tem entrevistas com ativistas, ex-funcionários públicos, especialistas, como Michael Shellenberger e Mike Benz.

O roteiro exibe a aliança entre governo, universidades, organizações privadas e 'Big Techs' (Google, Meta etc) para conseguir atingir em cheio o coração da Primeira Emenda Americana: liberdade de expressão. O sistema de alcance global de silenciar adversários teve origem na Guerra Fria e perdura até nossos dias. 

O filme traça o caminho que, por exemplo, calou a boca de determinada parte da imprensa quando estourou o escândalo do cocainômano Hunter Biden (filho do então candidato à presidente Joe Biden) e seu notebook cheio de informações comprometedoras, e a festa da mídia militante na suspensão do perfil oficial de Donald Trump, presidente dos EUA em 2020, do Twitter.

O alerta é claro: toda forma de sequestro da crença, seja ela política, identitária, cultural, não ficará só em determinado setor – logo virá a todo conjunto da sociedade. Ou seja: os mesmos que aplaudiram a exclusão de Trump do Twitter reclamaram, depois, ao serem atingidos pelos mesmos modus operandi. Duração: 120 minutos. Cotação: ótimo. 

 

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