Sexta, 25 Setembro 2026

MPF aponta venda de lotes mesmo após ordem judicial para empresário

Cidadeação penal

MPF aponta venda de lotes mesmo após ordem judicial para empresário

Alvo da ação penal, Clube Encontro das Águas fica na zona rural e se sobrepõe à área de proteção ambiental federal. 

O empreendimento é alvo de uma ação penal por parcelamento irregular do solo e crimes ambientais. Foto- Imagem dos Autos/MPF

Um empresário foi preso preventivamente na última quarta-feira (23) por determinação da Justiça Federal, após o Ministério Público Federal (MPF) apontar o descumprimento de medidas judiciais relacionadas à implantação e comercialização de lotes no condomínio 'Clube Encontro das Águas', localizado na divisa entre os municípios de Jacareí e Igaratá. O empreendimento é alvo de uma ação penal por parcelamento irregular do solo e crimes ambientais.

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Segundo o MPF, o loteamento começou a ser implantado em 2021 sem autorização dos órgãos públicos e está localizado em área que se sobrepõe à Área de Proteção Ambiental (APA) Mananciais do Rio Paraíba do Sul, unidade de conservação federal. A investigação aponta que a implantação do empreendimento provocou a remoção de vegetação nativa, incluindo árvores de grande porte.

Em fevereiro deste ano, ao receber a denúncia apresentada pelo MPF, a Justiça Federal determinou a interrupção da comercialização dos lotes e das obras de implantação do condomínio. O empresário e outros envolvidos também foram proibidos de frequentar o local e de manter contato com corretores de imóveis para viabilizar novas negociações.

De acordo com o Ministério Público Federal, porém, as medidas não teriam sido cumpridas integralmente. Nos meses seguintes, anúncios de lotes continuaram circulando e visitas de possíveis compradores teriam sido realizadas no empreendimento.

Diante das constatações, o MPF pediu a prisão preventiva do empresário. A Justiça também determinou a apreensão de máquinas e equipamentos utilizados nas obras e a lacração da guarita de acesso ao condomínio, como forma de impedir a entrada de materiais de construção e a continuidade das atividades relacionadas à implantação e comercialização dos lotes.

As medidas foram cumpridas na última quinta-feira (24). Segundo o MPF, o acesso ao empreendimento ficou restrito a pessoas que eventualmente já tenham adquirido lotes de boa-fé.

AÇÃO PENAL
O caso tramita na Justiça Federal por meio da Ação Penal nº 5005653-91.2023.4.03.6103. Já o pedido de busca e apreensão que resultou na apreensão de máquinas e equipamentos tramita sob o nº 5005114-23.2026.4.03.6103.

A prisão preventiva está relacionada, segundo o MPF, ao descumprimento das determinações judiciais anteriormente impostas ao investigado no curso da ação penal.

Prefeitura diz que comunica autoridades
sobre parcelamentos irregulares de solo

Procurada pelo Diário de Jacareí, a Prefeitura informou que mantém ações recorrentes para comunicar às autoridades competentes possíveis casos de parcelamento irregular do solo no município.

O governo municipal, entretanto, esclareceu que operações desse tipo são realizadas diretamente pelos órgãos responsáveis e que não necessariamente contam com acompanhamento da Prefeitura.

No caso específico da operação realizada nesta semana, a atual administração afirmou que não foi notificada ou informada pela Polícia Federal sobre detalhes da ação, incluindo os endereços envolvidos e as pessoas investigadas.

A Prefeitura também voltou a alertar para os riscos relacionados à aquisição de terrenos anunciados na zona rural por valores considerados muito abaixo dos praticados no mercado.

Segundo o município, antes de comprar imóveis ou terrenos, os interessados devem verificar a regularidade do local por meio do Atende Bem On-line e consultar o mapa de áreas embargadas disponível no site oficial da Prefeitura.

O alerta se soma a outras ações de fiscalização e comunicação já realizadas em relação ao parcelamento irregular de áreas rurais. Em maio deste ano, o Diário de Jacareí informou que a Prefeitura monitorava 65 loteamentos irregulares no município e orientava os interessados a consultar previamente a situação das áreas antes de realizar qualquer negociação.

Em 2023, o município também havia alertado para a comercialização de terrenos menores que o módulo mínimo rural apresentados ao público sob a denominação de 'condomínio de chácaras'. 

 

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