Segunda, 27 Setembro 2021

O filme sobre a greve

O filme sobre a greve

Há 3 anos comentei neste espaço sobre o bom documentário produzido pelo neto Francisco 

Agora a pouco, em 22 de julho, completou-se 15 anos da morte de Gianfrancesco Guarnieri, dias antes de 15 dias antes de seu 72º aniversário. Há 3 anos comentei neste espaço sobre o bom documentário produzido pelo neto Francisco. 

Hoje escrevo sobre o filme 'Eles Não Usam Black-Tie', que estreou 40 anos atrás, baseado na peça de teatro de mesmo nome redigida por Guarnieri em 1958.

Ator, diretor e dramaturgo, era comunista de carteirinha e fazia questão de não esconder isso. O enredo, aliás, é calcado nos valores esquerdistas que defendia como, por exemplo, a greve. 

A trama mostra o movimento grevista iniciado numa fábrica. Um operário, Tião (no filme de 1981, Carlos Alberto Riccelli - Guarnieri 23 anos antes) está preocupado com a namorada Maria (Bete Mendes em 1981, Miriam Mehler em 1958) que engravidou e eles decidem se casar. Para não correr o risco de perder o emprego, resolve furar a greve, liderada pelo pai, Otávio (Guarnieri em 81, Eugênio Kusnet em 58).

Daí se inicia o conflito familiar que se estende às assembleias dos trabalhadores e piquetes. A mãe de Tião, Romana (Fernanda Montenegro no filme, Lélia Abramo na peça) não sabe de que lado ficar. A família é pobre, mora numa pequena casa no subúrbio e vive com dificuldades.

Otávio quer doutrinar o filho com lições vermelhas, palavras de ordem socialista, mas ele não consegue ter êxito. Tião quer sossego e viver ao lado da amada, com seu emprego garantido e sem amolar ninguém. A direção da fita foi de Leon Hirszman, que pôs na telona o ritmo do cinema, principalmente nas sequências das paralisações e confrontos com a polícia.

Foi bem recebido pela crítica e levou prêmios importantes, como o do júri, no Festival de Veneza. Era época em que o cinema nacional estava dividido entre produções de cunho político e as chamadas pornochanchadas, que dominavam as salas nacionais na década de 1970. Porém, os longas 'politizados', digamos assim, ferviam em explorar tanto os supostos males do Regime Militar como em querer, de algum modo, destroçar o 'outro lado', ou seja, a direita. Duração: 120 minutos. Cotação: bom. 

 

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