Especialista em saúde orienta como diferenciar essa doença da catapora
São Paulo já registra duas dezenas de casos de sarampo no estado e expõe a queda da cobertura vacinal nos últimos anos.
O aumento dos casos de sarampo em São Paulo levou as autoridades de saúde a reforçarem a vacinação no estado. Em 2026 (até o início de agosto), já foram confirmados 23 casos da doença, sendo 20 na capital, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. Por conta desse cenário, surge a dúvida na população sobre a diferença entre sarampo e catapora. As duas doenças virais frequentemente confundidas por provocarem alterações na pele, mas que possuem causas e evoluções distintas.
"O sarampo é uma infecção causada por um dos vírus mais contagiosos conhecidos, transmitido principalmente por gotículas respiratórias eliminadas durante a fala, tosse ou espirro, podendo ser transmitido antes mesmo do aparecimento completo dos sintomas, o que favorece a ocorrência de surtos", explica a Dra. Alice Del Colletto, professora e coordenadora do curso de Biomedicina da Faculdade Estácio.
Segundo a especialista, a catapora apresenta um comportamento diferente. "A catapora é provocada pelo vírus varicela-zóster e, apesar de também ser transmitida pelas vias respiratórias e pelo contato com as lesões de pele, costuma evoluir de outra forma. Sua principal característica é o surgimento de pequenas bolhas que provocam coceira intensa e aparecem em diferentes fases pelo corpo. Já o sarampo costuma causar febre alta, tosse, coriza, olhos avermelhados, sensibilidade à luz e manchas avermelhadas que geralmente começam no rosto e depois se espalham para outras regiões do corpo", completa.
Alice frisa que a volta da circulação do sarampo está diretamente relacionada à queda da cobertura vacinal registrada nos últimos anos. "Quando a cobertura vacinal diminui, o vírus encontra mais pessoas suscetíveis e consegue voltar a circular".
Ainda de acordo com a especialista, a vacinação é uma ferramenta coletiva, ou seja, além de proteger quem recebe a vacina, contribui para reduzir a transmissão e proteger pessoas que não podem ser imunizadas por condições específicas de saúde. "A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é segura, altamente eficaz e fundamental para evitar novos surtos", afirma.
"De forma geral, quem teve sarampo desenvolve uma resposta imunológica duradoura e permanece protegido pelo resto da vida. Casos de reinfecção são extremamente raros e costumam estar associados a alterações importantes do sistema imunológico. Mesmo assim, manter a vacinação atualizada conforme as recomendações do Programa Nacional de Imunizações continua sendo essencial para reduzir a circulação do vírus e proteger toda a população", informa.
Seja sarampo ou catapora, a principal forma de prevenção é a vacina. A imunização protege contra as formas mais graves das doenças e contribui para reduzir a circulação dos vírus na população.
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