Domingo, 22 Fevereiro 2026

Como identificar a tempo de socorrer e por que combinação acende um alerta

GeralComa alcoólico

Como identificar a tempo de socorrer e por que combinação acende um alerta

Neurologista explica os sinais de emergência, expõe mitos e alerta para o risco do metanol. 

O álcool atua como um potente depressor do sistema nervoso central, colocando o indivíduo em um cenário de risco. Foto- Ilustração

O coma alcoólico, estágio mais grave da intoxicação por álcool, volta ao centro das preocupações em fevereiro, com a realização do Carnaval e o início do ano letivo nas universidades, período marcado por festas e trotes aos calouros, frequentemente associados ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Muitas vezes confundida com uma embriaguez comum, a condição pode evoluir rapidamente e provocar parada cardiorrespiratória, lesões neurológicas permanentes e até levar a óbito.

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O quadro acontece quando há um rebaixamento profundo do nível de consciência, pois o álcool atua como um potente depressor do sistema nervoso central, colocando o indivíduo em um cenário de risco, que inclui aspiração de conteúdo gástrico, hipotermia e instabilidade dos sinais vitais.

"A pessoa pode não responder a estímulos e apresentar respiração lenta ou irregular. É uma situação que exige socorro imediato", explica a dra. Keila Narimatsu, neurologista credenciada da Omint (planos de saúde).

DIFERENÇAS
A especialista diferencia a intoxicação alcoólica grave do coma propriamente dito. Na primeira, ainda pode haver consciência parcial, confusão mental e vômitos persistentes. Já no coma, ocorre perda significativa ou total da consciência e comprometimento das funções vitais, especialmente da respiração. Vale ressaltar que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe uma dose segura de consumo de álcool que não afete a saúde em nenhum nível.

JOVENS ESTÃO ENTRE OS MAIS VULNERÁVEIS
O perfil de maior risco inclui jovens com consumo excessivo, além de idosos, pessoas de baixo peso e aquelas que fazem uso de medicamentos como benzodiazepínicos, opioides, antidepressivos ou antipsicóticos. Doenças hepáticas, respiratórias ou neurológicas também aumentam a vulnerabilidade.

O QUE FAZER
Diante da suspeita de coma alcoólico, a orientação é clara: acionar suporte médico imediatamente, manter a pessoa deitada de lado, em posição lateral de segurança, observar a respiração e o pulso, mantê-la aquecida e nunca deixá-la sozinha.

Vale ressaltar que mitos comuns podem agravar o quadro. "Dar café, banho gelado, induzir o vômito ou forçar a pessoa a andar aumentam o risco de aspiração e de parada respiratória. Além disso, incentivar que a pessoa durma na tentativa de aliviar os sintomas é perigoso", afirma a especialista.

Quando há demora no atendimento, o coma alcoólico pode deixar marcas duradouras, como déficits de memória e atenção, epilepsia secundária e distúrbios motores e psiquiátricos. Em situações extremas, pode evoluir para estado vegetativo ou óbito. O prognóstico depende do tempo de falta de oxigenação no cérebro, da dose ingerida e da rapidez do socorro.

Metanol: um perigo invisível

Além do etanol presente nas bebidas regulares, o Brasil segue registrando casos de bebidas adulteradas com metanol, substância altamente tóxica. No último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, foram registrados 97 casos e 16 óbitos em todo o país, até novembro de 2025. No estado de São Paulo, até o dia 5 de fevereiro deste ano, foram confirmadas 12 mortes associadas à ingestão de bebidas adulteradas.

Diferentemente do álcool comum, o metanol é metabolizado em ácido fórmico, capaz de provocar acidose grave, lesão neurológica progressiva, cegueira, convulsões e coma, muitas vezes poucas horas após a ingestão.

"O quadro pode piorar mesmo quando a pessoa já parece ter melhorado. Por isso, qualquer suspeita de bebida de procedência duvidosa deve ser tratada como emergência", alerta a doutora Keila Narimatsu, neurologista credenciada da Omint.

PREVENÇÃO
Para reduzir riscos, a neurologista recomenda alimentar-se antes e durante o consumo, beber devagar e intercalar com água, evitar misturar álcool com medicamentos ou outras drogas, não aceitar bebidas sem procedência confiável, não incentivar 'competições' de doses, permanecer em grupo e observar os amigos.

"O cuidado coletivo pode salvar vidas. Reconhecer precocemente os sinais e agir rápido é o que separa um susto de uma tragédia", finaliza.

SERVIÇO
Principais sinais de
alerta do coma alcoólico

●Sonolência profunda ou inconsciência;

●Dificuldade de acordar;

●Fala incoerente ou ausência de fala;

●Respiração lenta, irregular ou ruidosa;

●Pele fria, pálida ou arroxeada;

● Vômitos com rebaixamento de consciência;

●Convulsões e hipotermia. 

 

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