Cachorro caramelo
Nada retrata tão bem a alma vira-lata do resistente brasileiro como esses dois personagens.
Nos finais de semana dos derradeiros anos da década de 1970, a discotecagem de luzes coloridas estava em alta, sobretudo nos embalos de sábado à noite.
No decênio seguinte, os destemidos astros anabolizados e beligerantes das fitas americanas de ação colocavam para quebrar. Sozinho, Arnold ou Rambo afugentava um exército inimigo.
De 1990 em diante, o panorama começou a mudar. A sétima arte foi contaminada pelo vírus da ideologia e o que era uma diversão passou a um pesado fardo de remorsos ao espectador.
Deu no que deu. Semana retrasada o Cinemark fazia uma melancólica promoção de dez reais o ingresso, para ver se fisgava o público cada vez mais arredio, cujo último alento foi o Capitão Nascimento.
Com o ocaso do cinema, surgiram novas modas ditadas pelas plataformas digitais e redes sociais. Algumas muito passageiras, como o habilidoso Luva de Pedreiro e o indefectível 'hit' Caneta Azul.
Mas o que veio mesmo para ficar foram o carismático cachorro caramelo e o inamolgável Uno da firma. Nada retrata tão bem a alma vira-lata do resistente brasileiro como esses dois personagens.
Jacareí está com seus caramelos sob controle, desde a chegada da viatura da castração e a promoção dos frequentes mutirões veterinários, até mesmo para vacinação.
O Uno da firma enfrenta qualquer parada, seja enchente ou batida com trem. E sai vitorioso, ainda mais se for ornado com escada para prestação de serviços gerais.
Como em todo o território brasileiro, o surto de dengue e a infestação de pernilongos castigam o solo afonsino. Até a chegada do general inverno, esse povo que é caramelo e uno da firma sobrevive.
Há modinha mais recente. O prefeito de Sorocaba, que transformou sua cidade em paraíso. O daqui não precisa tanto, vencendo a dengue e revitalizando a noite central já estará ótimo.
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