Sexta, 24 Julho 2026

Sindicato pressiona Caoa Chery após PMJ iniciar desapropriação de fábrica

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Sindicato pressiona Caoa Chery após PMJ iniciar desapropriação de fábrica

Prefeitura avança com desapropriação após fim de prazo concedido à montadora; fábrica de Jacareí está sem produzir desde 2022. 

Em 2022, a montadora encerrou a produção de veículos da marca chinesa no município. Foto- Arquivo/PMJ

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região voltou a cobrar a retomada das atividades da Caoa Chery em Jacareí e o cumprimento do acordo firmado em 2022, quando a montadora encerrou a produção na cidade. Na época, a empresa anunciou a intenção de preparar a unidade para a fabricação de veículos eletrificados, com expectativa de retomada em 2025, o que não ocorreu.

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A cobrança ganhou força depois que a Prefeitura de Jacareí anunciou, na última segunda-feira (20), o início do processo de desapropriação da área da fábrica, diante da falta de um plano concreto da Caoa Chery para reativar a unidade.

A Prefeitura vinha cobrando uma definição da montadora desde 2025. Em julho daquele ano, a empresa foi notificada e recebeu inicialmente prazo de 45 dias para apresentar um plano para o futuro da fábrica. A pedido da própria Caoa Chery, o período foi ampliado para um ano, mas terminou sem uma proposta concreta de retomada da produção.

Com o fim do prazo, a administração municipal decidiu avançar com os procedimentos para a desapropriação. Entre as próximas etapas estão o levantamento dos investimentos públicos realizados na implantação da fábrica e a avaliação do imóvel.

O Sindicato, porém, defende que a prioridade seja a retomada da produção e dos empregos. Caso isso não aconteça, sustenta uma medida mais dura: a retomada da área sem indenização à montadora e a devolução dos recursos públicos recebidos pela empresa.

"Queremos que a empresa volte a produzir e gerar empregos e renda em nossa região, mas não dá para ficar sem resposta e com essa enrolação por parte da montadora. Se as atividades não forem retomadas, defendemos que o espaço seja expropriado e que a Caoa Chery devolva centavo por centavo do dinheiro público que recebeu", afirma o presidente do Sindicato, Weller Gonçalves. 

Antes um marco de expansão no país,
fábrica está sem produzir desde 2022

Inaugurada em Jacareí em 2014, foi a primeira unidade produtiva da montadora chinesa instalada fora da China. Foto- Arquivo/PMJ

Inaugurada em 2014, a fábrica de Jacareí representou um marco na expansão da Chery no Brasil e foi a primeira unidade produtiva da montadora chinesa instalada fora da China. O empreendimento recebeu terreno e incentivos fiscais do município.

Em 2017, o Grupo Caoa assumiu participação majoritária nas operações brasileiras da marca, dando origem à Caoa Chery.

Cinco anos depois, em 2022, a montadora encerrou a produção em Jacareí e demitiu 489 trabalhadores. Na ocasião, um acordo negociado com o Sindicato estabeleceu indenizações e outras garantias aos funcionários atingidos pelo fechamento.

A paralisação foi apresentada pela empresa como parte de um processo de remodelação da unidade, que seria preparada para a produção de veículos eletrificados. A expectativa era de uma transformação ao longo dos três anos seguintes, com possibilidade de retomada em 2025.

NÃO VOLTOU
Desde 2024, o Sindicato afirma manter reuniões com representantes da Caoa Chery e enviar notificações cobrando uma definição. A mais recente foi protocolada em junho deste ano.

Atualmente, cerca de 30 trabalhadores continuam atuando na unidade de Jacareí. Caso a fábrica seja definitivamente desapropriada, o Sindicato reivindica que a empresa garanta salários e direitos desses funcionários até a aposentadoria.

Área pode ter nova destinação

A desapropriação defendida pela Prefeitura de Jacareí e a proposta apresentada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região são diferentes. No procedimento anunciado pelo município, a área será avaliada dentro das regras aplicáveis ao processo de desapropriação. Já os metalúrgicos defendem que a montadora não seja beneficiada financeiramente depois de ter recebido incentivos públicos e não ter retomado a produção prometida.

Para o Sindicato, a Caoa Chery possui uma dívida social com Jacareí e com o Vale do Paraíba em razão dos empregos perdidos e dos compromissos assumidos desde a instalação da fábrica.

A entidade defende ainda que, se não houver retomada pela Caoa Chery, o espaço volte a ter finalidade industrial e seja destinado à geração de empregos. Entre as propostas defendidas pelo Sindicato está a instalação de uma montadora estatal para a fabricação de um automóvel totalmente nacional.

A Prefeitura também sinalizou que pretende dar uma nova destinação produtiva à área após a conclusão do processo, buscando atrair investimentos e gerar empregos.

Enquanto Jacareí permanece sem produção desde 2022, as operações industriais da Caoa Chery estão concentradas principalmente em Anápolis, Goiás. Esse cenário, somado ao descumprimento do prazo concedido para a apresentação de um plano concreto, aumenta a incerteza sobre uma eventual retomada da montadora na cidade.

 

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