Fiscalizar, portanto, não é perseguição ao comércio, como costumam alegar. É defesa do consumidor.
Em momentos de tensão internacional, quando conflitos no exterior provocam incertezas, um velho hábito de certos setores da economia brasileira costuma reaparecer com rapidez preocupante: o impulso de antecipar aumentos, repassar custos que ainda não existem e, no fim das contas, tentar levar vantagem sobre o consumidor. Não é de hoje que episódios assim se repetem no país.
Por isso, é acertada a decisão do Procon SP de intensificar a fiscalização em postos de combustíveis. Mas, ela precisa ser real, concreta, descolada das ações de marketing que gestores públicos costumam fazer.
Em meio às notícias sobre o agravamento das tensões no Oriente Médio, cresce naturalmente o receio de que o preço da gasolina ou do diesel suba.
Quando aumentos aparecem nas bombas antes mesmo de qualquer mudança real na cadeia de produção, transporte ou refino, o que se vê não é prudência empresarial, mas oportunismo. Quem paga a conta é sempre o cidadão comum, que depende do combustível para trabalhar, circular e manter o orçamento doméstico minimamente equilibrado.
Fiscalizar, portanto, não é perseguição ao comércio, como alguns costumam alegar. É defesa do consumidor. É também um recado claro de que tempos de crise não podem servir de desculpa para distorções de mercado.
Em cidades como Jacareí, onde o impacto de cada centavo no litro pesa diretamente no bolso de milhares de trabalhadores, a vigilância do poder público é ainda mais necessária. A concorrência deve existir, mas dentro de regras claras. A população não pode ficar refém de aumentos repentinos que nascem mais da especulação do que da realidade econômica.
Se o país quer amadurecer suas relações de consumo, atitudes preventivas como essa precisam ser valorizadas. Ganhar vantagem às pressas nunca foi sinal de responsabilidade econômica verdadeira para sociedade brasileira madura.
É a nossa opinião.