Por Rodrigo Romero em Sábado, 25 Abril 2026
Categoria: Coisas de Cinema

Trancos e barrancos

O artigo abordará o longa-metragem de 1987, de mesmo nome. Hoje cult, o filme, na época, juntou azar, desgraça.  

Está previsto aos próximos meses o lançamento de 'Mestres do Universo', contando a história do herói que marcou a minha geração: He-Man. Crianças dos anos 80 obrigatoriamente assistiam ao desenho exibido no 'Xou da Xuxa' – Adam, príncipe de Etérnia, tímido, se transformava ao sentir o perigo. Brandia a espada e gritava: 'Eu tenho a força!'. Não comentarei a fita que está por vir. Nem a vi ainda.

O artigo abordará o longa-metragem de 1987, de mesmo nome. Hoje cult, o filme, na época, juntou azar, desgraça. Para começo de conversa, o diretor, Gary Goddard, precisou por a mão no bolso e complementar o orçamento – a grana disponível, US$ 22 milhões, se esvaiu. A sequência final, He-Man (Dolph Lundgren) versus Esqueleto (Frank Langella), feita com dinheiro dele, passou na prova, apesar da precariedade extrema.

Nas bilheterias, arrecadou parcos US$ 17 milhões (prejuízo de US$ 5 milhões), o que fez com que 'Mestres do Universo' fosse o responsável por terminar de falir a Cannon, fundada em 1967 (só fecharia as portas definitivamente em 1993, mas nada mais produziu após o enorme rombo – famosa, era produtora mais picareta da Sétima Arte; rodou filmes de Chuck Norris e Charles Bronson na década de 80). Lundgren revelou: participar de 'Mestres' foi verdadeira provação. Precisou filmar muitos takes à noite, por exemplo.

A empresa Mattel, que fabricava bonecos do desenho (eu tinha vários), pegou no pé de todos, pois temia a diminuição da venda dos brinquedos se a história ficasse diferente do teor das animações. Langella contrariou tudo e todos: deve ter sido o único a se maravilhar com o trabalho. Dizia que seu filho era fã do Esqueleto e poder interpretá-lo significou um presente e tanto. O roteiro, de David Odell, era cômico: He-Man vinha à Terra recuperar chave-cósmica e, aqui, lidava com um casal de 'aborrescentes' que mais o atrapalhava do que qualquer outra coisa. Duração: 106 minutos. Cotação: bom (aos olhos de hoje). 

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