A trajetória do homem que viveu na pele o comunismo-nazifascismo se mistura com conflitos bélicos do século 20.
"Quando Wojtyla foi eleito, comunistas poloneses, ateus, devem ter exclamado: Jesus, Maria, José!" A frase é de um entrevistado do documentário biográfico 'O Papa que Venceu o Comunismo' (2025, Brasil Paralelo). Karol Wojtyla (João Paulo II), permaneceu Papa por quase 27 anos; a Polônia, terra natal, estava desde 1947 sob controle do Partido Operário (comunista), mergulhada em crises institucionais, assassinatos de opositores, economia em frangalhos, liberdade asfixiada.
A trajetória do homem que viveu na pele o comunismo-nazifascismo se mistura com conflitos bélicos do século 20. No 1º discurso, disse: 'não tenhais medo'. A frase caiu como bomba não somente no governo polaco, mas na União Soviética. "Quando o Papa foi eleito, Ronald Reagan disse aos assessores mais próximos: 'ali está nosso maior aliado contra o comunismo'", lembrou Ana Paula Henkel, estudiosa do ex-líder americano, que conquistaria a presidência dos EUA 2 anos depois. Com Reagan-Wojtyla se juntou Margaret Thatcher, Primeira-Ministra da Inglaterra (1979-90).
Porém, tiranos não assistiriam àquela manobra quietos. Em 1981, num espaço de 45 dias (30/3 – 13/5, Dia de Fátima), 2 atentados a tiros vitimaram Reagan (o autor dos disparos, John Hinckley Junior, 26 anos, queria – versão oficial – 'impressionar' a atriz Jodie Foster, por quem era obcecado) e Wojtyla. Ambos sobreviveram por milagre. No caso do Papa, ao se recuperar, abriu o 3º milagre de Fátima, pediu encontro com o algoz, terrorista turco Mehmet Ali Agca, de 23 anos, que confessou: cumpria ordens da KGB (polícia soviética).
No filme, a estrada percorrida por Wojtyla até o papado, com perdas precoces na família, auxílio de sacerdotes, é ilustrada com depoimentos impressionantes. Também destacam como o governo polonês maquiou a 1ª visita do Papa ao país – focalizaram somente o altar, sem multidão, sem jovens. Aos poucos, o regime ruía. Os dominós da União Soviética, de Mikhail Gorbatchov (1985-91), idem. Era o começo do fim do totalitarismo vermelho. De joelhos dobrados, Wojtyla derrotou um império. Duração: 112 minutos. Cotação: excelente.