A história mostra Adam, estudante com esquizofrenia paranoica acompanhada de alucinações que testa nova droga.
Peculiaridade de 'Palavras nas Paredes do Banheiro' (2020, youtube): foi dos primeiros filmes a entrar em cartaz após lockdowns da pandemia. Teve ampla distribuição a partir de 21/8/2020. Por suposto, a arrecadação financeira despencou – não atingiu US$ 1 milhão. Bem dirigido pelo alemão Thor Freudenthal ('Diário de um Banana', 2010, 'Pearcy Jackson', 2013) e roteirizado por Nick Naveda, teve como base o livro homônimo de Julia Walton.
A história mostra Adam, estudante com esquizofrenia paranoica acompanhada de alucinações que testa nova droga que promete esconder sintomas. Ele descobre os problemas ao ter surto psicótico e queimar acidentalmente o braço do colega de classe. No começo, para 'distrair', o jovem se concentra na culinária, hobby que o acalma (tem sonho de ser chef). Seus amigos imaginários (Rebecca, hippie, Joaquin, com tendências obscenas, e o Guarda-Costas, sujeito violento) e a voz sombria e ameaçadora que representa medos em relação ao desconhecido, temperam a obra de forma a ambientar o espectador no mundo do jovem, talvez até confundir o público, tal qual 'Uma Mente Brilhante' (2001).
Adam se transfere a um colégio católico e conhece Maya, melhor aluna da turma. A dupla faz amizade rápido. O cotidiano mostra que a moça faz bem a ele, que, por sua vez, não revela o diagnóstico por receio de estigmatização. O longa, usado em aulas do curso de Psicologia, é exaltado por não demonizar a esquizofrenia e tampouco o rapaz e inserir bom polimento à personalidade dele, mostrando empatia.
'Palavras nas Paredes do Banheiro' é sensível ao exibir as crises e, sem dramatizar, suaviza o sofrimento de Adam. Outro ponto a favor é escancarar 2 perigos: automedicação (ele faz isso no começo) e a interrupção, após receituário médico, dos remédios por conta própria (o rapaz toma a decisão quando vai trabalhar num restaurante e percebe que o paladar está alterado pelos medicamentos). A consequência, claro, é a piora na saúde. Duração: 111 minutos. Cotação: bom.