Por Rodrigo Romero em Sábado, 04 Abril 2026
Categoria: Coisas de Cinema

Chico eterno

​Senti falta do lado místico – em entrevistas, Chico declarava ser médium, disse crer em discos voadores, extraterrestres.

Temi, vendo os 5 episódios do documentário 'Chico Anysio: Um Homem à Procura de um Personagem' (2025, Globoplay), que o diretor-roteirista, Bruno Mazzeo, tivesse incutido lacração politicamente correta, omitido fatos relevantes do protagonista. Senti falta do lado místico – em entrevistas, Chico declarava ser médium, disse crer em discos voadores, extraterrestres. Esperei sentado o aprofundamento do dom de compositor – o 'Hino ao Músico', que ao longo das décadas era o prefixo dos programas, só surge na abertura, com outro arranjo.

Ressalto: Bruno não foi 'chapa branca'. Abordou temas espinhosos. Exemplo: as inúmeras rixas públicas (sabia usar a imprensa) de Chico com a Globo, no fim dos anos 1980, até meados dos 90 – ele estava incomodado com o surgimento de novos valores da comédia, como 'TV Pirata' (cogitou ir ao SBT), e com a saída de Boni da estação carioca, 1998. 'Ele se viu ameaçado, desprestigiado. Pior: se sentiu velho', diz a sobrinha Cininha de Paula. Curioso, pois Chico apoiava jovens, contanto que ficassem ao lado dele, sem projetos-solo. Ciumento, desancou Tom Cavalcante, pupilo mais famoso (o fato também está ausente do documentário), quando o comediante topou fazer 'Sai Baixo', largando a 'Escolinha do Professor Raimundo'.

Surpreendi-me com entrevistas de Zélia Cardoso de Melo, ex-ministra da Economia (1990-91), penúltima esposa (a derradeira, Malga, ficou fora por brigas com a família pela herança), e dos 2 filhos mais moços, Rodrigo e Victória (que não sabe falar português). Vivem nos EUA há 30 anos (patrulhado quando casado com Zélia, Chico viu seus shows ficarem esvaziados – voltou ao normal depois do divórcio – 'Ninguém entendeu: o amigo do Brasil se casava com a inimiga do país', lembrou o irmão, Zelito).

Chico era depressivo. Tomava medicamentos, fazia terapia. No fim da vida revelou a luta inglória, bem como frisou que o maior arrependimento era ter fumado (morreu aos 80 anos, 23/3/2012, de enfisema pulmonar). Tinha insegurança grande, veja você. Duração dos capítulos: 230 minutos. Cotação: bom. 

Publicações Relacionadas

Deixe o seu comentário