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Publicado em 30/06/2017 às 09h51
Um filme datado


RODRIGO ROMERO

Quase ao mesmo tempo em que houve o atentado terrorista que matou sete pessoas no jornal francês Charlie Hedbo, em janeiro de 2015, dentre os quais estavam chargistas de fama internacional, o país do periódico estreou uma comédia que num primeiro instante parecia provocar, depois trouxe certo alívio, pode-se dizer.

‘Que Mal eu Fiz a Deus?’ (2015) mostra o casal católico Claude e Marie tendo a missão de lidar com genros de diferentes crenças. São 4 belas filhas: Isabelle casa com o muçulmano; Odile se une a um judeu e Segolene junta-se com um oriental. A mais nova, Laure, enfim traz toda a satisfação aos pais ao anunciar que o seu noivo é católico. Mas a alegria do casal Claude-Marie ainda não será completa, pois uma surpresa alterará o rumo da trama.

Dirigido por Philippe de Chauveron, a fitam tem a sorte de encantar pelo elenco carismático, sobretudo Christian Clavier (Claude). Como a maioria das cenas é de total humor, coube ao ator ditar o ritmo das ironias e pitadas de racismo no qual o seu personagem está mergulhado. Ao lado de Chantal Lauby (Marie), Christian obteve a ótima parceira de set.

O tempo das frases tem o domínio de ambos, e ao resto do cast vale a conferência das tiradas sarcásticas do patriarca sobre os seus genros ‘diferentes’. Na família, o mais atiçado é Rachid (Medi Sadoun), o muçulmano. Tanto Claude como os demais miram nele todo o arsenal de rajadas e tiros de racismo. Ele os devolve com insultos e ameaças. Porém, tudo em ‘Que Mal eu Fiz a Deus?’ é recheado de graça, o que faz a película ser menos pesada do que parece.

Eu a assisti por estes dias e é estranho ter de lidar com isso quando a cada semana o mundo descobre um atentado com mortos. O filme não tem culpa, todavia poderia ser apresentado anos antes e não por estes tempos de alto medo e perigo. Pelo menos o blocked não se ocupa de incluir tragédias na história e o riso, mesmo quando há a graça tímida e destoada, serve como anteparo aos casos recentes de bombas, atropelamentos.

Uma obra datada, pode-se definir. Se fosse rodada nos anos 1980, 1990, o sentido seria outro? Creio que sim. A França e praticamente toda a Europa sofrem demais com as sucessivas matanças.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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