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Publicado em 22/07/2017 às 11h13
Pés e cabeças


RODRIGO ROMERO

‘O Lagosta’ (2015) passou meio despercebido pela festa do Oscar 2017. Esteve entre os 5 melhores da categoria Roteiro Original. E é bem a calhar a sua colocação nesta opção de prêmio, pois trata-se sim de uma fita sacada da lâmpada ideal. Adjetivo-a de esquisita, no mínimo. O roteiro mostra um futuro próximo, onde existe a lei que proíbe as pessoas de ficarem solteiras.

Qualquer pessoa sem o seu par é imediatamente presa e enviada ao Hotel, lugar onde terá apenas 45 dias para achar um parceiro ou parceira. Caso não encontre, essa gente é transformada num animal de sua preferência e solta bem no meio da floresta. E é neste contexto que um homem se apaixona em plena floresta.

O problema é que isso também não pode ocorrer. O sistema não deixa. Entendeu direitinho? ‘O Lagosta’ tem como protagonista o ator Colin Farrell, ladeado pela bela Rachel Weisz. A direção é de Yorgos Lanthimos, e o roteiro também. Dotado de forte humor negro, altas ironias e cenas bizarras, que não vemos todos os dias por aí, ‘O Lagosta’ prende a atenção exatamente por causa desse lado torto e desastrado, onde os atores fazem de tudo para parecerem modestos seres vivos à caça de companheiros (as). Mas por trás desta singela atividade está um sombrio mundo frio e destoante de tudo.

Quando David (Farrell) opta por se transformar numa lagosta caso fracasse na busca por sua amada, a jogada moral explica-se de maneira cruel: ele deseja um desaparecimento ágil. O longa-metragem se sustenta pela fase da artificialidade dos relacionamentos. As pessoas são obrigadas a ter a ‘cara-metade’, gostando ou não. É lei e ponto final.

Naquele ambiente, tudo soa falso, ou medroso, por assim dizer. Farrell e Weisz se dão bem na trama e Lanthimos sabe o que tem nas mãos. Seu comando é preciso e não descamba pra bagunça, ainda que a trama peça isto de forma legítima, raspando no ‘sem pé nem cabeça’.

Ao invés da desordem generalizada, o que temos é uma fita bem resolvida em seu fim, andando sem apoios na corda bamba da realização perfeita, que agrade o público. ‘O Lagosta’ foi lançado em Cannes há dois anos e agitou os espectadores. Fez barulho. Tem suas qualidades e pode logo se tornar cult. Vamos ver se o tempo contribui para sua fama repentina.

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Comentários (1)

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Daniel Rosa   5 mêses atrás
Podia ter escolhido lula,afinal esse é o molusco que deveria desaparecer.
11 DEZ
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Coisas de Cinema

Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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