Quinta, 02 Dezembro 2021

Toscos tempos esses

Toscos tempos esses

Sempre nos deparamos com pessoas que se movem mexendo no celular  

'Jexi: Celular sem Filtro' (2019), para início de conversa, é bobo, desalentador, desconcertante. Todavia, aborda o tema do momento: vício na vida virtual, dependência excessiva da internet, celular, cabeças ocas enfim. O diretor Jon Lucas (roteirista de 'Se Beber não Case 1', 2009) pegou a ideia de 'Ela' (2013) e tentou parodiar de forma exagerada.

A história é a seguinte: Phil (Adam Devine) não tem amigos, a vida amorosa é inexistente, trabalha numa empresa de internet onde precisa diariamente pensar em 'listas' que viralizem (seu sonho é ser jornalista), aquelas que usuários (crescidos ou não) espalham aos demais 'amigos virtuais'.

Ele se depara com serviços de inteligência artificial de Jexi (voz de Rose Byrne) quando é forçado a atualizar o celular. Com ela, tem companhia e orientação em tudo o que faz. Porém, quando perde a dependência em usar o aparelho, após conhecer a bela Cate (Alexandra Shipp), o software se transforma num pesadelo ao tentar trazê-lo de volta (diz estar 'apaixonada'), mesmo que signifique arruinar as chances de Phil obter sucesso na vida.

Sempre nos deparamos com pessoas que se movem mexendo no celular (correndo riscos de tropicar por aí, bater o carro, enfiar a testa num poste etc) e, caso fique sem o troço, não conseguem sequer voltar para casa, têm abstinência se o compartilhamento de fotos trava etc.

'Jexi', ao escancarar tais sequências num personagem totalmente sem carisma, como Phil, que se humilha a todos e implora a atenção de Cate, esbofeteia nossas caras: toscos tempos esses em que tudo gira em torno do artificial, superficial, onde, como disse a escritora Nélida Piñon no programa 'Provocações' lá em 2007, para se conseguir um pouco de conhecimento não é necessário muito trabalho, pois 'está tudo ali na frente' e sabemos que o raso é o nosso extremo.

Deparo-me quase 24 horas por dia com isso. As informações nos entram pelos poros, sem pedir licença. Pensamos ter sabedoria, genialidade. Que bobagem. É preciso maior decantação para tal. O filme expõe isso de um jeito que qualquer um compreende o enrosco, apesar de, como escrevi, a fita ser bastante boba. Duração: 84 minutos. Cotação: regular. 

 

Comentários:

Nenhum comentário feito ainda. Seja o primeiro a enviar um comentário
Já Registrado? Acesse sua conta
Visitante
Quinta, 02 Dezembro 2021

Ao aceitar, você acessará um serviço fornecido por terceiros externos a https://diariodejacarei.com.br/

No Internet Connection