Quarta, 01 Dezembro 2021

Que é que há-lho?

Que é que há-lho?

 No humor, tal qualidade é vital ao sucesso do artista.

A pausa é a grande característica do bom ator. Quem a domina se sobressai. No humor, tal qualidade é vital ao sucesso do artista. E, neste mundo das risadas, ninguém soube dar 'a pausa' melhor do que Walter D'Ávila. Há pouco tempo, em abril, a morte dele completou 25 anos (tinha 84 - nasceu em Porto Alegre - RS, a 29/11/1911).

Hoje revendo 'A Escolinha do Professor Raimundo', onde interpretava o inoxidável Baltazar da Rocha, percebo a naturalidade com que D'Ávila compunha aquele personagem que somente trocava duas ou três palavras com o mestre, na maioria das vezes respondendo com frases de duplo sentido, de cunho sexual. Mas era mais que isso.

Iniciou a carreira na década de 1920 atuando no grupo cênico criado na terra natal pelo flautista e radialista Piratini para atuar na Rádio Gaúcha, da qual fez parte a também comediante, e sua irmã, Ema D'Ávila (1916-1985). Depois trabalhou no teatro. Em 1935 atuou no 1º de seus 20 filmes, 'Noites Cariocas'. Mudou-se ao Rio, então capital federal, em 1955. Dois anos depois estreou na TV Rio e fez sucesso na 'Praça da Alegria'.

Gravou algumas marchinhas de carnaval também. Na TV Globo esteve em sua única novela, 'Feijão Maravilha' (1979), na pele do mal-encarado Scarface. E, claro, as lembranças mais memoráveis são dos programas humorísticos, como 'Viva o Gordo' (1981-87), 'Chico Anysio Show' (1982-90), onde participava de esquetes ao lado de outras feras, como Brandão Filho e Berta Loran, e a 'Escolinha' (1990-95).

Nesta, criou a novilíngua ao colocar o 'lho' no fim das palavras ou orações: 'sabo-lho', 'que é que há-lho?' e 'estudei-lho'. Sua expressão já era cômica e o 'tique' de repuxar o canto esquerdo do lábio o deixava ainda mais engraçado. A honra de encerrar a 'Escolinha' cabia a ele porque Chico Anysio sabia que, na verdade, o professor era D'Ávila, assim como eram Brandão, Zezé Macedo etc.

O grande pecado da 'Coleção Aplauso', da Imprensa Oficial, sob coordenação do saudoso Rubens Ewald Filho (1945-2019), foi não ter publicado livros com as biografias destes 3 ícones do humorismo nacional. Atualmente esquecidos do público, precisam emergir de novo. 

 

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