Terça, 26 Outubro 2021

Afiado humor negro

Afiado humor negro

Afirmo isso pois vivemos hoje sob a égide da 'temida' PPC (Patrulha do Politicamente Correto) 

Não tenho certeza se os irmãos Coen, Joel e Ethan, teriam a liberdade para realizar em 2021 ou 22 um filme do porte de 'Fargo: Uma Comédia de Erros', que completa por estes dias incríveis 25 anos de lançamento. Afirmo isso pois vivemos hoje sob a égide da 'temida' PPC (Patrulha do Politicamente Correto), que tudo cancela e corrói com mãos podres de Midas ao contrário.

A expressão que, de propósito, pus no título, 'humor negro', está, por exemplo, 'totalmente em desacordo' com as normas impostas por essa gente que deixou seu 'nada para fazer' para cuidar do cotidiano alheio, claro, torrando a paciência dos que são opostos à sua ideologia (os a favor têm o pano passado de maneira incólume e hipócrita). Em 1996, entretanto, éramos (?) livres e enxergávamos um tanto longe.

O script se passa em 1987 em Fargo, município de uns 120 mil habitantes de Dakota do Norte. Lá, Jerry (William H. Macy), gerente de revendedora de automóveis, ao ver-se em delicada situação financeira, elabora o sequestro da própria esposa Jean (Kristin Rudrud). Faz um acordo com os marginais Carl (Steve Buscemi) e Gaear (Peter Stormare), que ganhariam 1 carro novo e metade dos US$ 80 mil pagos por Wade (Harve Presnell), sogro de Jerry, homem muito rico.

A série de acontecimentos não previstos causa um triplo assassinato e a chefe de polícia Marge (Frances McDormand), grávida de 9 meses, tenta elucidar o caso, que continua a provocar mais mortes, enquanto come rosquinhas, cuida do marido Norm (John Carroll Lynch) e se movimenta com a dificuldade do peso da barriga. 'Fargo' é delicioso de se ver do 1º ao último minuto.

Os Coen têm o cinismo sob as rédeas e brincam com o espectador o tempo todo. Ao pensarmos que o roteiro vai para um lado, muda inesperadamente ao outro, e nos deparamos com a enrascada gigante que Jerry se meteu. Simplesmente o que tem de dar errado, dá. É a Lei de Murphy. Frances, casada com Joel desde 1984, ganhou Oscar de atriz e o marido, com o irmão, recebeu o de roteiro original. Duração: 98 minutos. Cotação: ótimo. 

 

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