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Publicado em 19/11/2012 às 18h52
Um dia que é para todos
A redação / Diário de Jacareí

Nosso país, em termos de etnia e demografia, é marcado por contradições e contrastes. Em todo o mundo, poucos casos de miscigenação não apenas racial, mas cultural e étnica, ocorreram, como no Brasil. Desde cedo aprendemos a nos orgulhar do samba, do futebol e da ‘malandragem’; das piadas de Grande Otelo, do gingado da mulata e dos dribles de Garrincha, mas desconfiamos do profissional negro.

O Dia da Consciência Negra, celebrado nesta terça-feira (20) em várias cidades do país, não serve apenas como uma celebração do homem negro inserido na sociedade brasileira. O aniversário da morte de Zumbi dos Palmares passa longe de uma data conceitual e que poderia cair na banalidade e uso como ‘muleta’ para feriados encadeados.

Vivemos hoje no limite de nossa identidade racial, na transferência de modelos distintos de comportamento e posicionamento sobre como o Brasil é. Gradativamente, o homem negro e a mulher negra saem da posição subalterna e figurativa em nossa sociedade. Sai de cena a empregada negra e surgem os profissionais de renome, como médicos, advogados, âncoras de telejornais e personagens de relevância nacional, como o, agora presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa. Lenta e progressivamente, estamos assumindo nossa identidade multirracial, retratada cada vez mais em igualdade em filmes, novelas, seriados e livros.

Mas, na contramão do senso comum, se torna nítida a transferência do preconceito não mais pela cor, mas pela condição social. Em um país que, por séculos, ficou dividido entre brancos e negros (primeiro pela cor da pele, depois pela condição social), as mudanças econômicas que levaram o ‘negro de alma negra’ encapsularam o racismo de parte da opinião pública. O preconceito racial deu lugar ao preconceito social, combatente dos programas assistencialistas do governo (em todos os níveis), com a criação do termo ‘gente diferenciada’.

A comemoração do ‘Dia da Consciência Negra’ talvez, um dia, não será mais necessária, pois a consciência de toda a sociedade será única e congregada em torno de nossa humanidade. Mas, até que este dia de utopia chegue, devemos utilizar tal data para refletir como somos e nos comportamos, e que o lugar do negro não pode ser apenas nas quatro linhas do campo de futebol ou na passarela de samba, e sim como irmão em todas as responsabilidades e privilégios que cabem ao ser humano.

É a nossa opinião.

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