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Publicado em 15/01/2021 às 10h05
Vida e arte


RODRIGO ROMERO

'O todo enquadrado'. O lema é da pintora amadora Maud Lewis (1903-1970), cuja cinebiografia (de 2016) está disponível na Netflix. Sally Hawkins (de 'A Forma da Água', 2017) encarna a artista numa atuação digna da mais pura ternura e simpatia. 

Abandonada pelo irmão Charles (Zachary Bennett), que lhe rouba a metade da casa da mãe para quitar dívidas, na casa da tia Ida (Gabrielle Rose), Maud decide se oferecer como faxineira ao rude peixeiro Everett Lewis (Ethan Hawke, da trilogia 'Antes do Pôr-do-sol'), que vive numa espécie de tapera na cidade de Nova Escócia, no Canadá, e só sabe rosnar.

Aos poucos, a relação de resmungos e cumplicidade se forma. Maud pinta tudo o que vê: nos vidros das janelas, portas, móveis, surgem flores, pássaros, nuvens. As cores saltam dos pincéis por suas mãos, que penam a cada traço por causa da forte artrite de que a moça é vítima.

Ela não se importa com a pobreza ou com os maus tratos do parceiro (a esta altura, marido). Maud deseja colocar para fora o mundo que vê, cheio de fantasia e esperança. Descoberta por Sandra (Kari Matchett), freguesa de Lewis, a pintora enfim começa a ter o reconhecimento.

Ainda assim, a extrema humildade não lhe permite abandonar o casebre, o companheiro, dramas da vida permanecem. 'Maudie' retrata de maneira compreensiva a trajetória da pintora, que só teve fama para valer nos seus derradeiros anos de vida, a partir de meados da década de 1960.

O longa-metragem toma algumas liberdades e as licenças poéticas servem para dramatizar mais a biografia da pintora. A tarefa de Walsh conseguiu fazer Hawkins se sair de modo brilhante como a protagonista, que consegue provar a Lewis que sua deficiência não significa incompetência, pois em pouco tempo de parceria o peixeiro sente que ela é indispensável.

Assistir a 'Maudie' fará você descobrir a figura encantada por trás da aparência frágil e débil da mulher que foi aplaudida até por um vice-presidente dos EUA. A doçura e a meiguice que transmite Hawkins na tela faz o espectador querer pegar Maud no colo. Duração: 116 minutos. Cotação: ótimo.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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