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Publicado em 27/05/2016 às 11h27
Um novo herói afonsino


JOSÉ LUIZ BEDNARSKI

Por precaução, chamá-lo-ei apenas Nelson e não revelarei em que fábrica trabalhava, embora jure escrever apenas a verdade. Vai saber quão relevante ainda é o caso na Agência Brasileira de Inteligência (ABIN).

O dono dos passarinhos herdados por Quinzinho não se deixava golpear nas crises - na falta de serviço, pegava uma amostra, fazia a mala e viajava em busca de novos clientes. Daquela vez, meados da década de noventa, foi parar em Banguecoque, capital da gloriosa Tailândia.

Para compensar as reuniões cansativas e o cheiro de espetinho de escorpião grelhado ficou num hotel de luxo, que contemplava os hóspedes com um show noturno de danças folclóricas. Nelson chegou cedo e pegou a mesa mais próxima ao proscênio. Mais tarde, uma movimentação de Chefe de Estado agita o saguão. Seis seguranças ostensivamente armados escoltavam um careca de óculos redondos e bigode, ladeado pela esposa e a vidente (acreditem, é verdade). O jacareiense sarapantou-se ao reconhecer a triste figura: o foragido PC Farias!

E não é que o homem mais procurado pela justiça brasileira queria pra si a mesa de Nelson?! "Este lugar está reservado para mim", rosnou em inglês o gangster alagoano. O intimorato afonsino, com muito sangue frio e também no idioma de Shakespeare, ponderou que não existia qualquer sinal de exclusividade na vaga.

Portanto, não sairia dali. Na tentativa de contemporizar a situação, convidou cordialmente o trio a lhe fazer companhia à mesa. A proposta de conciliação não surtiu efeito. Ao contrário, recebeu da cartomante do patife uma saraivada de ofensas em sonoro português. PC percebeu que o ocupante entendera os xingamentos e voltou apressadamente ao quarto, onde permaneceu recluso nos dias seguintes, receoso de haver topado com brasileiro e ser dedurado.

Quando Nelson voltou de viagem, uma equipe da ABIN veio à fábrica e levou a testemunha para São Paulo, a fim de prestar mais informações sobre o paradeiro do venal comparsa de Collor, que em seguida foi preso pela Interpol. Como doutras vezes, foi assim que Jacareí escreveu uma página sobranceira na história do Brasil.

Dessa lembrança, restaram os canários de Quinzinho.

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O Quinto Poder

Coluna assinada pelo Promotor de Justiça da Cidadania, José Luiz Bednarski. Uma abordagem apartidária, com discussão aberta dos assuntos de interesse geral; o amadurecimento paulatino da cidadania, a força da população em diálogo com órgãos independentes representativos, como MP, Defensoria Pública e outras instituições criadas ou fortalecidas a partir daConstituição de 1988.


E-mail do autor: joseluizbednarski@gmail.com
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