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Publicado em 03/04/2020 às 16h26
Tempos modernos


RODRIGO ROMERO

Dentre os documentários indicados ao Oscar 2020 estava 'Indústria Americana' (2019, Netflix), que levou o prêmio. Produzido sob as bênçãos do casal Barack e Michelle Obama, mostra as barreiras e preconceitos de parte a parte quando uma indústria chinesa inaugura a afiliada nos EUA, trazendo com ela funcionários orientais e algumas regras pré-estabelecidas.

No início do filme, a realidade é o desemprego de centenas de pessoas com o fechamento da fábrica da General Motors, em 2008, na cidade de Ohio. A faísca de esperança vem quando estes empregados sabem que um bilionário da China vai aproveitar o terreno deixado pela GM e abrir a empresa Fuyao.

De cara, Cho Tak Wong, o magnata, contrata 2 mil funcionários. Idas e vindas de gerentes à matriz servem de pano de fundo às diferenças de costumes que os diretores do doc Steven Bognar e Julia Reichert querem mostrar ao público de modo cordial.

'Não estou preocupada em passar emoção. Ligo a câmera e deixo as pessoas se expressarem, falarem sobre o momento', diz Julia no vídeo que surge imediatamente após o término de 'Indústria Americana', onde ela e Steven conversam com o casal Obama.

As discrepâncias saltam aos olhos: os americanos trabalham 8 horas por dia, têm os fins de semana de folga etc. A Fuyao chega e quer implantar jornadas que ultrapassem 10 horas diárias e ter no máximo 2 dias de folga por mês. Isto é um exemplo.

E não demora à dupla de diretores exibirem insatisfações de lado a lado. 'Os americanos demoram para fazer o serviço' e 'Eles estão explorando a gente demais' são algumas delas. A partir daí a aprovação ou não do sindicato dentro da fábrica indispõe os envolvidos.

O simples voto de 'sim' ou 'não' faz com que Wong ameace veladamente subalternos e que tais. 'Se esses sindicalistas entrarem, nossa produção ficará bastante prejudicada. Não será bom para nós', comenta o CEO a certa altura.

A eterna discussão se o capitalismo vale a pena serve de adubo para que Steven e Julia retratem a discriminação e a implicância dos povos, que chega à rejeição. Quando um dos funcionários americanos da Fuyao vai à China e se emociona ao assistir a uma apresentação da cultura chinesa, nos espantamos - como eles dos EUA, tão frios, conseguem arrancar lágrimas dos olhos? Bobagem.

Nessa onda de marxismo cultural, que está cada vez mais rasa (ainda bem), o filme 'Tempos Modernos' (1936), de Chaplin, teria outro sentido. Duração: 111 minutos. Cotação: bom.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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