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Publicado em 26/10/2015 às 10h59
Simples, barato e eficiente


RODRIGO ROMERO

'Reflexões de um Liquidificador' (2010) aborda temas do cotidiano. Estão ali a ira, a solidão, a libido, a insônia e loucura. Elvira (Ana Lúcia Torre) descobre a traição do marido Onofre (Germano Haiut). Assassina-o de forma impressionante e conta com a ajuda de um liquidificador (voz de Selton Melo) para terminar o serviço. A linha do filme é narrada pelo objeto, que ganha vida quando o dono troca a hélice quebrada por uma maior, mais forte e potente. A partir daí, somente Elvira interage com ele.

Dirigido por André Klotzel ('Marvada Carne', 1985), 'Reflexões' pinta o quadro de absoluta perdição e comédia. De forma simultânea, funde estas duas características para montar principalmente Elvira, a sádica e pura senhora. Para fazer paradoxo (ou o espelho?) a Elvira, André Klotzel escalou Fabíola Nascimento e o papel de vizinha safada lhe cai bem. Fora isso, há a testemunha: o carteiro vivido por Marcos Cesana, no mesmo nível dos demais. Feito o quadrado, temos o simples, barato e o eficiente.

Você jamais pensará em ver Ana Lúcia Torre empapada de sangue, gargalhando com o liquidificador como o seu cúmplice, confidente, amigo íntimo. E ela envolta numa loucura sem fim, desesperada de forma cínica, sob uma direção gabaritada e praticamente devotada ao seu personagem. A atriz está à vontade diante das câmeras e, o melhor, compartilha a qualidade de seu trabalho com o público, pois a sua Elvira nada mais é do que alguém comum, cujas angústias encontram-se em qualquer pessoa.

Pode parecer simples, mas 'Reflexões de um Liquidificador' é mais complexo do que imaginamos. A interação com o objeto-protagonista é tão bizarra que um tempo depois nos acostumamos. É por isso a dificuldade da explicação. E ao escutar Selton Melo sussurrando e chamando 'Elvira... Elvira...' faz-nos sentir impotentes porque sabemos ser aquilo mentira, bobagem, e, de repente estamos, a gente mesmo, olhando de soslaio pra o nosso próprio liquidificador. Indague-o logo após assistir à película.

Ao todo, 24 pessoas participaram dos bastidores. Conto aí, além de Klotzel, o roteirista, produtores, a fotografia, música, edição etc. Dos atores, 10, se tanto. Então, vejamos: com menos de 40 pessoas se pode trabalhar em um longa-metragem considerado de sucesso. Com bem menos até, também. Em 2010, quando lançado, o cinema brasileiro já vivia a era das comédias sem sal com a turma da Globo. Há alternativas. Rejeite e saiba rejeitar. O ponto-chave está aí. Basta que regulemos o nosso cérebro.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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