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Publicado em 20/11/2020 às 16h10
Quando a campainha soa


RODRIGO ROMERO

Um dos filmes menos visto e talvez conhecido do diretor Ingmar Bergman é 'O Rito' (1969). Feito à TV, está disponível na íntegra no youtube. A trama tem ares do que se passa no Brasil nos dias atuais: a censura proclamada por gente de fora do 'ramo'.

A história mostra 3 atores (Thea, Sebastian e Hans), em um país não identificado, no escritório do juiz Abrahamson. Estão num interrogatório. O tema: a peça de teatro deles, acusada de obscena. As 'entrevistas' são feitas separadas e individuais. Nas conversas entre os 3, a bagagem psicossexual é levada ao último grau e armam a que o autoritário interrogador seja levado ao extremo da sensibilidade.

Relacionamentos complicados, alcoolismo, perversão e assassinatos dão o tom. Sebastian (Anders Ek), por exemplo, bebe e está cheio de dívidas. Matou o ex-parceiro e tem um caso com a viúva deste, Thea (a belíssima Ingrid Thulin). Ela, por sua vez, é propensa a ataques de histeria e sujeita a rompantes de sexo com seu perguntador. Está casada pela segunda vez, mas com o atual namorado de Sebastian, Hans (Gunnar Björnstrand), líder dos atores.

Hans é rico, autossuficiente e cada vez mais se vê entediado com a trupe. Bergman como sempre é preciso, audacioso nos diálogos e direção. Corrói o pensamento do público com palavras ácidas e nada sutis ditas pelo cast. Na medida em que o juiz (Erik Hell) pressiona a que confessem ser mesmo pornográfico o conteúdo da tal peça, os 3 desejam somente se entenderem uns aos outros, num jogo de paixão e arrebatamento com risco de rompimento das relações e a revelação dos segredos mais íntimos de cada um.

Abrahamson é sádico e perspicaz, e nada sabe sobre a profissão de suas 'vítimas'. Examina-os com lupa como se investigasse a desimportância de micróbios (atores). O trio possui um trunfo que o interrogador não sabe: a arte. Interpretar 'O Rito' como se fosse Bergman essas 3 personalidades dos atores pode soar valente. Fazer isso é o caminho mais fácil a se tomar. É, porém, nas constantes humilhações cometidas pelo juiz que notamos a campainha bergmaniana soar. Duração: 72 minutos. Cotação: excelente.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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