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Publicado em 31/01/2020 às 16h40
Perdeu a graça


RODRIGO ROMERO

Se, para mim, a festa do Oscar de 2019 foi bastante insossa, este ano então, sem a presença de Rubens Ewald Filho (REF: 1945-2019), deve ser bem pior. Não apenas por isso. Há alguns anos a transmissão no Brasil da entrega do maior prêmio do cinema deixa a desejar seja pela falta de preparo dos envolvidos, pela preocupação em 'lacrar' sempre quando possível, pela presença de pessoas que nada tem a ver com o ambiente...

Enfim, o que estava sem sal provavelmente ficará azedo daqui para a frente. A TNT, emissora oficial no Brasil que exibe na íntegra, tem feito bobagem atrás de bobagem ano após ano.

Vejam vocês: colocar youtubers e modelos para entrevistar diretores, roteiristas, atrizes e atores é o fim da picada. Sobram aos perguntadores, cuja cabeça está mais preocupada em tirar selfies com as estrelas, questões vazias ou que jogam confetes - 'Como foi interpretar este personagem?', 'Qual a emoção de ser indicado?', 'O que você espera da festa de hoje?'.

Haja paciência. Tudo tem limite. Isto não é nada perto dos comentários pré-fabricados de Michel Arouca, responsável por substituir REF já em 2019, quando o veterano foi posto a escanteio depois de a Patrulha do Politicamente Correto (PPC) denunciá-lo por comentários feitos no evento de 2018 sobre um transexual.

Arouca, criador do site 'Séries Maníacos', se preocupa em escrever 3 ou 4 linhas sobre filmes e lê os comentários durante a exibição. É frio e distante. Pode ser pela inexperiência. Gerações passam. O tempo é implacável. Todavia, a qualidade poderia, pelo menos, ser mantida. Lembro-me, por exemplo, do Oscar de 1998, TV Globo, quando o jornalista Renato Machado comandou os trabalhos ao lado de REF e Arnaldo Jabor, com repórteres em Los Angeles, no tapete vermelho.

Ou então o de 2004, SBT, com Marília Gabriela e REF, o diferencial por sua memória espantosa e prodigiosa - 'Fulano está em sua 5ª indicação e não deve ganhar porque a Academia costuma escolher tal proposta'. REF passava-nos bastidores, o modo de como a eleição era feita.

A qualidade era aliada da experiência, que falta em abundância hoje. Porque não pensar em nomes como Isabela Boscov (da revista 'Veja'), Luís Carlos Merten (do jornal 'O Estado de S.Paulo') ou Inácio Araújo? Talvez porque eles não tenham 'rostos' de televisão.

É triste. O Oscar está perdendo a graça. Nunca pensei que um dia escreveria isto. Mas é a verdade. A transmissão brasileira está cada vez mais chata.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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