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Publicado em 27/01/2017 às 10h23
Os ricos e os pobres


RODRIGO ROMERO

A tristeza bateu forte quando li sobre os recordes de ingressos vendidos para 'Minha Mãe é uma Peça 2' (2016). É o 3º filme nacional mais visto da história, com quase 7 milhões de pessoas, atrás apenas de 'Tropa de Elite 2' (2010), com 11,2 milhões, e 'Dona Flor e seus Dois Maridos' (1976), com 10,7 milhões. O desânimo foi acompanhado de uma atestação, pois a primeira parte, lançada em 2013, havia tido êxito desmedido.

Era claro que a sequência arrebataria público também. Na continuação, Hermínia (Gustavo), a mãe superprotetora e mal educada, está com seu programa de TV consolidado e vê os filhos Marcelina (Mariana Xavier) e Juliano (Rodrigo Pandolfo) saírem de casa. A moça vira atriz, ele, advogado. Banhado no martírio de se ver sozinha em casa, a protagonista precisa treinar a solidão, em meio à recepção à irmã boca-suja Lúcia (Patrycia Travassos), que chega dos EUA, e as brigas com a sua outra irmã, Iesa (Alexandra Richter).

No ínterim, a família perde a tia Zélia (Marilu Bueno). No todo, as forçadas de barra, fundidas com piadas de igual tom de ralo. Aí as interpretações pouco significam. A meta é fazer rir, ainda que com certa descrença na relevância do cinema. Eu entendo que se trata de um longa-metragem de férias. Serve para passar o tempo.

Não figurará na lista dos 100 mais e etc e tal. Penso quando se rodava os filmes sem o computador. Viver esta época deve ter sido trabalhoso e sob pressões absurdas. Depois infrutuosas. E como chamaremos a fase a partir da década de 2000? 'Novo Humor Nacional'? Afetado demais. 'Minha Mãe é uma Peça 2' não tem roteiro. É feito para Paulo Gustavo fazer seu stand up.

Figuras como ele próprio, Leandro Hassum, Marcius Melhem, Marcelo Adnet, além da geração Youtuber (oh, Deus!), que agora também começa a povoar as telonas, estão ou vão estar milionários graças a você, espectador. E nós, cada vez mais pobres culturalmente falando, com as salas dos cinemas daqui abarrotadas de blockbusters com zero atributo. Você deve imaginar quem perde com essa história toda. 'Minha Mãe é uma Peça 2' deve ter continuação. Deixo claro: isto não é cinema. Ponto final.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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