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Publicado em 22/07/2016 às 11h03
Os olhos falam


RODRIGO ROMERO

Você não precisa ver 'O Segredo dos seus Olhos' na íntegra. Se assistir ao plano-sequência que fecha no estádio do Racing, durante um jogo de futebol, já está bom. A fita que ganhou o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira em 2009 é daquelas produções que dá gosto de apreciar.

Tudo ali está encaixado, reto, em ordem: roteiro, direção, atuação e fotografia. Desde a sacada do fanatismo pelo esporte mais popular do planeta, até o dramalhão da terra do tango, o longa-metragem comandado por Juan José Campanella define a posição do cinema argentino no panteão dos grandes do mundo.

Ricardo Darín é Benjamin Esposito. Recém-aposentado como oficial de justiça, quer escrever sobre a história que mais o impressionou nos anos de carreira: o estupro e assassinato duma moça em 1974. Para tanto, necessita da ajuda da ex-chefe Irene, por quem sempre nutriu um amor platônico.

Por flashes, o filme nos dá pistas sobre o caso macabro. Conhecemos Pablo, ajudante de Benjamin que mais parece Sancho Pança. E também Morales, marido da falecida. Com estes personagens, monta-se a trama de desenrolar chocante, surpreendente. Claro, pra quem não viu ainda, nada de spoilers. Posso afirmar que o nó é dado e muito bem atado porque a aventura pega os anos de ditadura militar do país de Peron, de 1976 a 1983.

Aliás, 'O Segredo de seus Olhos' se tornou o longa mais visto nas terras azuis e brancas desde 1983, com mais de três milhões de espectadores. Rodado entre outubro e novembro de 2008, teve orçamento parco de dois milhões de euros, nada quando se trata de ecrã.

Com joias falsas e joias verdadeiras, 'O Segredo de seus Olhos' trabalha de maneira excelente todo o aspecto histórico e didático. Ao invés de ser 'filme de detetive e ladrão' cai na bacia dos de suspense grande e de pitadas irônicas. Ademais, o cinema argentino, a meu ver, é brilhante e não é de agora. E nesse período com certeza o nome de Darín está envolvido. Um pouco o de J. J. Campanella também. Parece que, diferente de nós, eles sabem lidar com desgraças de sua trajetória passada. Mexem com ela sem medo. Doa a quem doer.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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