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Publicado em 19/02/2021 às 13h51
O Panteão dos Heróis da Pátria


JOSÉ LUIZ BEDNARSKI

Por falta de raiz histórica e identidade cultural com o povo brasileiro, a República é pródiga em copiar estrangeirismos e utilizar modelos de outras nações de realidade completamente diversa da tupiniquim.

O plágio d'alhures foi tão marcante, que os republicanos batizaram nosso país de Estados Unidos, tocaram nos trópicos a Marselhesa para comemorar a quartelada e mandaram cozer uma bandeira igual à do Tio Sam, apenas mudadas as cores para verde e amarelo.

Na esteira de sua falta de tradição, sempre na busca de inspiração estrangeira, mais uma vez bebendo em fonte gaulesa (no caso, o Panteão de Paris), surgiu, em 1985, o Panteão da Pátria.

Embora localizado na Praça dos Três Poderes, atrás do Congresso Nacional, entre o STF e o Palácio do Planalto, o monumento é descuidado pelo Governo Federal. Administra-o a Secretaria Estadual de Cultura do DF.

Referido memorial homenageia personalidades nacionais e estrangeiras que, de algum modo (a critério do legislador), serviram ao engrandecimento da nação brasileira.

Um andar é destinado a engrandecer um presidente pré-morto ao mandato. Ao restante, o principal nome realçado é de Tiradentes, que conspirou contra a pátria, em movimento separatista. Mais uma mancada republicana, que reforça sua marca de desconhecer a história nacional.

Enquanto no Panteão de Paris jazem os restos mortais de grandes vultos da Humanidade, como Marie Curie e Victor Hugo, no Livro de Aço do homônimo nacional figuram Zumbi, Deodoro, Mendes, Zuzu, Dandara, Arraes & cia., heróis só para quem enxerga com o olho esquerdo.

O Barão do Serro Azul, barbaramente assassinado pela República da Espada, teve seu nome aprovado em lei, mas aguarda injustificadamente desde 2008 para ser gravado à posteridade.

Foi proposto o ingresso, porém pendente de aprovação, de Senna, Pedro II, Enéas, Barão do Rio Branco e até de sanfoneiro, no prédio que estava praticamente às escuras e abandonado até 2017 (com a pira apagada e algumas pichações).

O Panteão da Pátria representa duas pombas brancas estilizadas e foi projetado pelo camarada Niemeyer, em cuja prancheta inestética faltam verde e espaços acolhedores, mas sobram impessoalidade concretada e distanciamento popular.

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Coluna assinada pelo Promotor de Justiça da Cidadania, José Luiz Bednarski. Uma abordagem apartidária, com discussão aberta dos assuntos de interesse geral; o amadurecimento paulatino da cidadania, a força da população em diálogo com órgãos independentes representativos, como MP, Defensoria Pública e outras instituições criadas ou fortalecidas a partir daConstituição de 1988.


E-mail do autor: joseluizbednarski@gmail.com
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