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Publicado em 04/03/2016 às 10h31
O limite da solidão


RODRIGO ROMERO

Dos longas-metragens de animação que concorreram ao Oscar deste ano, o psicológico 'Anomalisa' é o mais surpreendente porque se aproxima demais do real, do verossímil. É bom acabarmos com a tal pecha de que os desenhos em sua maioria têm de ser destinado exclusivamente às crianças. Nada soa mais pueril.

Quem assistiu a 'Chico & Rita' (2012) sabe do que falo. E, cá pra nós, na temporada de 2015 tanto 'Divertidamente' como o brasileiro 'O Menino e o Mundo' dialogam pouco ou zero com o público infantil. São produções destinadas aos pais, por assim dizer. 'Anomalisa' pisa em nosso calo.

'Anomalisa' aborda solidão num mundo cheio de gente. Michael Stone é um palestrante motivacional cuja vida é completamente o oposto do que prega: é depressivo, vive pulando de relacionamentos, dá importância rasa às pessoas (a fita representa isto com as vozes dos personagens - todas são iguais, masculinas, inclusive às das mulheres) e tem emoções instáveis.

Um dia, ao ir a um destes eventos, tenta se reaproximar dum antigo caso, sem sucesso. Até que tem uma síncope o faz conhecer Lisa, a moça humilde fã de seu trabalho e leitora dos livros. A paixão repentina o faz repensar sentimentos, que são postos à prova. Depois de tórrida noite (sim, há cenas de sexo) com Lisa, Stone quer romper as barreiras. Mas quais os limites? Há o risco de ele considerá-la menos relevante do que os demais?

Dirigido por Duke Johnson e Charles Kaufman (roteirista de, por exemplo, 'Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças' - 2004, 'Adaptação' e 'Confissões de uma Mente Perigosa', os 2 de 2002), o longa de stop motion se destaca pela fotografia. Passado praticamente em ambientes escuros em tons pastéis a marrons, 'Anomalisa' registra importantes toques de distúrbios de autoestima.

O roteiro de Kaufman sublinha os horrores e as desgraças de pessoas que, como Stone, se lixam à maioria porque se lixam a eles próprios. Os pesadelos de conteúdo fútil e as distrações propositais fazem com que o espectador perceba essas questões. Os filmes que citei, com os blockeds de Kaufman, atestam isto. É o teor da obra, a mais densa, sem dúvida alguma, que suas concorrentes ao prêmio máximo do cinema.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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