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Publicado em 15/01/2021 às 17h47
O Farol do Ocidente


JOSÉ LUIZ BEDNARSKI

Da última coluna de 2020 só não constou uma verdadeira piada de mau gosto, por falta de espaço. Uma usucapião com 'laranja' (totalmente desprovida de indícios de posse) chamou atenção pelo descompasso entre a idade da autora da ação (23 anos) e o tempo alegado de posse (mais de 20 anos).

Questionado a respeito, por intermédio de decisão interlocutória que acolheu sugestão do Ministério Público, o advogado da pretendente não ruborizou e saiu-se com uma justificativa desconcertante: sua cliente morava defronte e costumava de pequena brincar de boneca e casinha no terreno.

Como é preferível ler uma linha processual assim a ser deficiente visual, sobram de consolo as excelentes postagens satíricas sobre a Rainha Elizabeth nas redes sociais. Adormecido e alienado de suas raízes genéticas, o brasileiro adora a coroa.

A primeira impressão parece apontar simplesmente para a longevidade da anciã como a causa do motejo. Porém, aquela é enganosa. Sempre se encontram exemplos de autoridades e homens públicos de duração aparentemente ilimitada, notadamente entre ditadores de republiquetas.

A britânica é muito mais que uma senhora com aura de imortalidade. Ela carrega sobre os ombros a continuidade e estabilidade que apenas um regime com tal nível de maturidade democrática pode ostentar. Com responsabilidade institucional, sem farra eleitoral.

Continuidade não se obtém gastando bilhões em escrutínios quadrienais. É triste constatar que a urna eletrônica que sustenta o mecanismo dos politiqueiros funciona impecavelmente melhor que os aparelhos quebrados da UTI no hospital público.

Estabilidade não se angaria com a constante escaramuça entre os partidos políticos. Embora no fundo eles pouco difiram além das siglas, dividem a nação (em nome de projetos pessoais de poder) e promovem artificial cizânia entre irmanados brasileiros.

A Rainha fomenta a simbologia que identifica o conceito de nação, custa bem menos que o cabide republicano e ainda gera dividendos turísticos ao país. No Brasil, mesma coisa: viajantes de férias ainda preferem Petrópolis a Brasília.

Elizabeth, uma monarca típica, exerce diuturnamente sua função de farol civilizatório do Ocidente, da Austrália ao Canadá. Não se esconde da pandemia em Miami e empunha ela mesma seu guarda-chuva.

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O Quinto Poder

Coluna assinada pelo Promotor de Justiça da Cidadania, José Luiz Bednarski. Uma abordagem apartidária, com discussão aberta dos assuntos de interesse geral; o amadurecimento paulatino da cidadania, a força da população em diálogo com órgãos independentes representativos, como MP, Defensoria Pública e outras instituições criadas ou fortalecidas a partir daConstituição de 1988.


E-mail do autor: joseluizbednarski@gmail.com
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