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Publicado em 15/05/2020 às 13h32
Lorre e sua cara de coitado


RODRIGO ROMERO

A estreia de 'M: O Vampiro de Düsseldorff' vai completar, em meados de 2021, pasmem, 90 anos. E a direção e blocked de Fritz Lang dá o tom macabro, difícil, e enredo nervoso. Peter Lorre é Hans Beckert, assassino de crianças que está prestes a ser descoberto.

Há 2 correntes que o querem preso: a polícia, por motivos óbvios, e o grupo de gatunos das redondezas - um matador desta envergadura atrapalha o andamento dos crimes dos 'autênticos' ladrões (afinal, liquidar petizes já é demais).

E o que atrai nós, cinéfilos, a um filme assim? Em 1º lugar, a concepção de Lang ao cenário, fotografia, som e, óbvio, sua direção impecável, irretocável. O 2º ponto é o movimento do expressionismo Alemão, que povoou este país nas décadas de 1920 e 1930.

'M' é um dos ícones desta fase - o jogo de luz e sombra é referência e arrebata qualquer concorrente. Na 3ª posição está a carga psicológica e traumática do roteiro. Essa era uma das proezas obsessivas de Lang: desejava mergulhar na mente do personagem e explorá-la sem os limites da fúria.

Beckert, no trecho final da trama, desembucha toda a cultura de massas que podemos compreender - o comportamento em frente às pessoas é um; e sozinhos, somos repletos de pesadelos escondidos.

O 4º motivo é a interpretação retumbante de Lorre, que com aquela cara de coitado deixa o espectador sem reação quando comete a matança. Aqui, aplauso: o modo com que Fritz Lang trata o terror de sua obra - discreto, sem exagero, o mínimo de ruído possível.

O serial killer age conforme os seus assovios apavorantes até ser desmascarado por um transeunte que marca as costas do casaco com a letra 'M'. A partir daí o caos da perseguição policial começa e atinge o ápice com o julgamento dentro do esgoto por um punhado de bandidos.

Terá a pena de morte? Como Hans Beckert se defenderá? 'M: O Vampiro de Düsseldorf' nos joga com força no abismo do cérebro inquietante de Lang no momento em que a sétima arte se vê às voltas com o novo elemento nos longas-metragens: o som. Duração: 117 minutos. Cotação: ótimo.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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