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Publicado em 14/12/2015 às 11h31
Ligações estranhas


RODRIGO ROMERO

Pouca gente, creio, viu 'Maggie: A Transformação'. Estreou em julho no Brasil e logo sumiu das salas dos cinemas. No elenco estão Abigail Breslin (a 'Pequena Miss Sunshine', hoje com 19 anos) como a protagonista, e Arnould Schwarzenegger, pai da moça. É incrível como o 'Exterminador do Futuro' tenta se passar por humano sentimental, mas as suas reações em cena se parecem mais com paredes, tamanha é a contagiante emoção diante das câmeras. O roteiro segue a linha das tramas de zumbis: a cidade está contaminada com um vírus potente e os infectados têm de se isolar, pois a enfermidade é contagiosa e etc e tal.

Paralelamente à 'Maggie', indicado por um amigo, lia 'A Metamorfose', o classicão de Franz Kafka. E tudo na mesma semana. Encontrei semelhanças entre um e outro! Podem me chamar de biruta ou o inconsequente-mor, mas a realidade é essa. Tal qual Gregor Samsa, o personagem central da trama do escritor, transformado em bicho nojento ao acordar, Maggie 'precisa' ficar isolada do universo. Os parentes não a desejam por perto e ela pena para se comunicar com as pessoas em volta. Ninguém a ouve porque têm medo do que ela possa fazer. Samsa fala, mas a sua voz sai como grunhidos toscos e degradantes, como se o inseto berrasse por melhorias. A mãe e irmã dele se assustam e há passagens macabras nas páginas, nesta obra que considero a mais perturbadora de todos os tempos. A mutação de Maggie se dá aos poucos, ao contrário da de Gregor.

Ele dormiu são e acordou metamorfoseado. Porém, feridas ficam ali e os próximos sentem asco das situações. Maggie e Gregor ficam sem saída.
Confesso: as ligações estranhas estas que faço. Ainda não cheguei a ver obras da sétima arte baseadas no mundo kafkiano. É desastroso pensar nesse ser. Há um média-metragem dirigido por Jan Nemec, de 50 minutos.

Talvez seja a mais concentrada tradução pro cinema de 'A Metamorfose'. Talvez. Os diretores precisam descobrir Kafka. Orson Welles foi um, com 'O Processo' (1962). 'Maggie' poderia ser uma versão. Exageros à parte, a figura de linguagem é marcante na produção de Hobson. Só ela.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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