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Publicado em 15/07/2016 às 11h25
Hector Babenco


RODRIGO ROMERO

Com o desaparecimento do cineasta Hector Babenco, anteontem pra você que me lê neste sábado, 16 de julho, se vai um pouco do Brasil cru e ligeiramente honesto dos longas-metragens dele. Argentino naturalizado brasileiro em 1965, aos 19 anos, Hector deu ao país que escolheu viver trabalhos dignos de aplausos.

Escrevi numa rede social que se o fã da sétima arte resolver assistir a uma só fita deve, sem qualquer dúvida, ir direto a 'Pixote: A Lei do Mais Fraco' (1981). A trajetória de meninos de rua em uma instituição falida do Estado de São Paulo, antiga Febem, emocionou até as paredes das salas de projeção onde a produção foi exibida.

Mas o diretor também nos brindou com a violência de outro falso herói tupiniquim: 'Lúcio Flávio: Passageiro da Agonia' (1977), no qual Reginaldo Faria deu tudo de si numa obra que explora as agruras de um dos delinquentes mais retumbantes do Brasil. Hector sabia trabalhar bem, aliás, a mais profunda amargura do ser humano, quando este vivenciava muitas experiências degradantes.

Em 'Carandiru' (2003) fez isso com maestria, equilibrando cada trama do filme com maestria e sinceridade. Os atores compreendiam o calor das instruções dele. Recebeu com merecimento a fama internacional ao rodar 'O Beijo da Mulher Aranha' (85), com um time de atores de primeira linha: Sônia Braga, Raul Julia e William Hurt. Babenco foi indicado ao Oscar de diretor e Hurt ganhou a estatueta de Melhor Ator.

Não menos brilhante foi o elenco de 'Ironweed' (87), onde comandou nada mais, nada menos, do que a dupla Jack Nicholson e Meryl Streep. Enfim, Babenco era profissional completo. Sentia muito orgulho de ter se tornado brasileiro, apesar de não conseguir esconder o leve sotaque da língua espanhola quando se exaltava.

Em seu derradeiro trabalho, 'Meu Amigo Hindu' (2016), despediu-se das telonas com a narrativa de sua vida. Arrisco-me a afirmar que 100% do roteiro foi baseado em sua biografia, claro, com alguns nomes trocados. Em 7 de fevereiro completou 70 anos. Tempos atrás vencera um câncer no sistema linfático. Tinha acabado de reatar o casamento com a atriz Bárbara Paz. Ela queria um filho dele, ou adotar para que ambos cuidassem.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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