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Publicado em 11/10/2019 às 13h10
Hebe: a caracterização


RODRIGO ROMERO

O objetivo é difícil: descasar a imagem de Andréa Beltrão da de Hebe Camargo (1929-2012). Mas caso você logre este patamar, assistir a 'Hebe: A Estrela do Brasil', que estreou semana passada por aqui, se dará de maneira bem mais sutil e prazerosa. Comigo foi assim. Logo nas primeiras sequências, quando a atriz dá as piscadelas ágeis típicas da apresentadora, Andréa me ganhou.

O longa, dirigido pelo seu marido, Maurício Farias, cobre um período significativo de Hebe: meados dos anos 1980, quando ela sai da TV Bandeirantes, onde era massacrada pelos órgãos censores do governo federal por expressar a sua opinião sobre temas até então tabus, como homossexualidade e sexo, e é contratada pelo SBT, com a estreia realizada em 1986, primeiramente às terças, passando depois de alguns anos às segundas.

O casamento tóxico com o empresário Lélio Ravagnani (Marco Ricca), que a tolhia, recheado de ciúmes, beirando a inveja, é mostrado sem rodeios, com cenas fortes, de violência física e psicológica. Maurício optou por uma jogada cativante: exibir as imagens dos programas sem ser as das câmeras 'oficiais' - assim, o espectador jamais vê Hebe de frente, mas 'dos bastidores'.

Um exemplo é o debute no canal de Silvio Santos (vivido de forma canastrona por Daniel Boaventura, em participação especial), pois as reproduções são pelas costas da artista. Raramente há closes e o risco de se ter um produto acabado de TV fica de lado (a fita será transmitida como seriado em 2020 na TV Globo, com conteúdos extras).

A porção 'ingênua' de Hebe - simultaneamente falava cobras e lagartos sobre os políticos e corrupção, e apoiava cegamente Paulo Maluf - se encaixava na vida de uma mulher que representou muito à história da televisão brasileira: foi dona de casa, esposa, mãe etc, e não escondia isso do público (se desejarem uma pitada disso, assistam a entrevista dela no 'Roda Viva', em 1987 - tem na íntegra no Youtube).

O roteiro de Carolina Kotscho ('2 Filhos de Francisco') se coaduna bem à intenção básica da produção: a alegria de viver de Hebe superava os tortuosos obstáculos da vida, sem esbarrar em clichês. Duração: 111 minutos. Cotação: bom.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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