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Publicado em 10/04/2020 às 10h39
Glórias de outrora


RODRIGO ROMERO

Bridget Jones chegou aos 50 anos de idade e prova de novo que é capaz de voos bem altos. Bridget, quer dizer, Renée Zellweger, a ganhadora do Oscar de 2003 como atriz coadjuvante por 'Could Mountain', nos enfeitiça logo nas primeiras cenas de 'Judy' (2019).

A cinebiografia da estrela Judy Garland (1922-1969), a eterna Dorothy de 'O Mágico de Oz' (1939) tem instantes de comoção, mas em compensação tem outros de muito açúcar onde não precisava.

O longa cobre o último ano de vida da artista, que é mãe de Lizza Minelli, que não gostou do filme por, segundo ela, 'tomar liberdades factuais demais'. Judy está com 46 anos, acabada e arruinada financeiramente. Afundada nas bebidas e drogas, se refugia em Londres, onde recebe o convite a uma turnê numa boate local.

Entre uma apresentação e outra, relembra sua dura infância e adolescência, quando vivia à base de remédios e anfetaminas e era proibida de comer (!), além de ser constantemente vítima de assédio moral por Louis B. Mayer, o chefão dos estúdios MGM.

Renée encarna Judy em todo o seu potencial depressivo: os constantes problemas com peso, aparência e voz e as tentativas de suicídio. Isso sem mencionar os 5 casamentos que contribuíram à sua defasagem estrutural, física (o derradeiro às vésperas do falecimento).

Não foi fácil. Sob direção de Rupert Goold, 'Judy', que no Brasil ganhou o subtítulo de 'Muito Além do Arco-Íris' (em alusão à música de 'O Mágico de Oz'), mostra a força de interpretação de Renée. Ela topou usar a própria voz nas gravações e pouco deixa a desejar.

Mesmo resvalando um tiquinho que fosse na pieguice, a nossa Bridget, agora sem as bochechonas características, fez por merecer a indicação ao Oscar. Aliás, a Academia de Artes não se cansou de baixar o porrete em Renée, principalmente os últimos tempos, onde ela apareceu nos holofotes com o rosto esticado pelas plásticas e aquela cara de quem chupou limão superazedo.

Mas 'Judy' dá nova calibrada em seu talento, que jamais foi questionado por outrem. A profusão de cinebiografias lançadas nos últimos tempos (e outras virão por aí) só faz afirmar que as estrelas do passado se sobressaem muito em relação às atuais.

Esses filmes aspiram resgatar a glória e decadência de cada um, claro, com algumas lantejoulas embutidas. Duração: 118 minutos. Cotação: bom.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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