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Publicado em 23/02/2015 às 10h21
Ganhador de 4 Oscars


RODRIGO ROMERO

A história de 'Birdman - Ou a Inesperada Virtude da Ignorância' (2014) parece ter sido escrita a Michael Keaton. O ator, hoje com 63 anos, conheceu a fama aos 36 quando filmou 'Os Fantasmas se Divertem' (1988), de Tim Burton. Pelas mãos do mesmo diretor logo em seguida rodou os dois 'Batman' (1989, 1992), ao lado de feras como Jack Nicholson e Danny DeVito. Os anos se passaram e ele 'sumiu'. O ostracismo lhe beijou o rosto de forma carinhosa e M. Keaton tropeçou na própria carreira. Tentou até ser diretor e 'Má Companhia' (2008) nem lembrado é. Ano retrasado o brasileiro José Padilha (dos dois 'Tropa de Elite', 2007, 2010) o chamou para a nova versão de 'Robocop'. Não sei se concomitantemente ao caso, o diretor mexicano Alejandro González Iñárritu o convocou ao projeto do 'Homem-Pássaro'. E então a luz de Keaton acendeu de novo. 'Birdman' refletiu, parece, o que o ator passava nessas décadas. Ele se deu muito bem.

O longa-metragem ganhou 4 Oscars na festa de anteontem - o principal, melhor filme, e diretor, roteiro e fotografia (este não merecido - 'O Grande Hotel Budapeste', sim).  A fita mostra o desespero de Riggan (Keaton). Conhecido pela trilogia do tal 'Birdman', ele se recusou a fazer o quarto, em 1994. Desde então procura se encontrar. Mas nada é fácil. Uma voz misteriosa, alucinante, povoa-o constantemente, e pede ao ator para que retome a fama do personagem carismático.

Riggan é teimoso. Monta uma peça de teatro sobre o amor e convida os parceiros à empreitada. Sob os olhares atentos da filha problemática Sam (Emma Stone), ex-dependente química, o canastrão sofre na mão da impiedosa crítica Tabitha (Lindsay Duncan). 'Você não é ator. É uma celebridade. Vou aniquilar com sua peça', esfaqueia a jornalista.

Egos inflados, principalmente de Mike (Edward Norton), o ator substituto, fazem com que a peça resulte em sucessivos instantes de alta tensão e cenas hilárias. Riggan, por exemplo, 'passeia' só de cueca por fora do teatro quando seu roupão fica preso numa porta e de pronto a cena se torna popular no YouTube. Tempos modernos em que fama e talento caminham muito separados. Só por milagre, em casos super-raros, andam de braço dado, bem felizes, animados.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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