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Publicado em 21/02/2020 às 14h19
Fellini, 1OO


RODRIGO ROMERO

Janeiro passou e algumas pessoas se lembraram do centenário de Federico Fellini, dia 20/1. Diretor e roteirista de mão cheia, considerado por muitos o grande nome da sétima arte do século XX, comandou 22 longas-metragens em 40 anos de carreira, entre 1950 e 1990.

Recebeu o Oscar pelo conjunto da obra em 1993 (morreu de infarto 6 meses depois) e tem na lista de filmes inesquecíveis títulos como 'A Doce Vida' (1960), 'Casanova' (1976) e 'E la Nave Va' (1983).

Obras-primas que tinham como principal característica misturar realidade com sonhos e delírios, além de fantasias e bastante de cunho autobiográfico, as películas marcaram gerações de adolescentes que viram nele a liberdade e a consideração de uma época ferina e dramática, como foram as décadas de 1960 e 70 a uma porção de gente.

Fellini foi indicado 12 vezes ao todo ao Oscar, com 4 vitórias na categoria de Filme Estrangeiro - 'A Estrada' (1957), 'Noites de Cabíria' (1958), '8 1/2' (1963) e 'Amarcord' (1973). Da mesma leva que o compatriota Vittorio de Sica, Fellini contribuiu às artes também como cartunista, e atualmente seus desenhos valem boas quantias em dinheiro aos colecionadores.

O ator Marcello Mastroianni foi um de seus principais parceiros profissionais. Quem não se lembra, por exemplo, de suas cenas em 'A Doce Vida'? Vários cineastas, do calibre de Woody Allen, têm em Fellini um ídolo ou referência.

O italiano, ao lado de nomes como de Sica, Ingmar Bergman, Goddard e Akira Kurosawa, forma um seleto grupo de diretores fora dos EUA que conseguiram triunfar ao longo do século XX, principalmente durante os anos 1930 e 80. Fellini, particularmente, imprimiu ao cinema emoções que não estavam tanto assim no catálogo, como a infância amargurada, as paixões platônicas, os dramas em sonhos, a psicologia na porta de casa etc.

Quem assiste Fellini pela primeira vez hoje em dia pode considerar as produções arrastadas, difíceis de compreender e entediantes. É claro que essas observações acerca de seus filmes são totalmente mentirosas, mas sabemos em qual patamar o cinema está em 2020, no mau sentido.

Aliás, eu ouso perguntar: há cinéfilos desta geração Z (ou sei lá a letra que designaram agora) capazes de se sentar numa poltrona ou sofá e terem a mínima paciência para degustar um Fellini? Fico triste em imaginar a resposta.

Pode ser que se considerem 'cinéfilo' hoje em dia só porque sabem de cor os diálogos de todos os 'Vingadores'. Um papo com Scorsese não lhes faria mal. E viva Fellini!

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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