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Publicado em 26/05/2014 às 10h20
Em 2022


RODRIGO ROMERO

A minha admiração por filmes 'de conversa' vem de longe. Bem, não tão longe assim. Quando duas pessoas papeiam na telona eu paro para ver. Normalmente, na maioria das vezes, isto se dá em histórias de casal, romances enfim, e deste exemplo há vários longas-metragens a se citar. Dentre os tantos, a trilogia dirigida por Richard Linklater - 'Antes do Amanhecer' (1995), 'Antes do Pôr-do-Sol' (2004) e 'Antes da Meia-Noite' (2013) - se destaca. E são necessárias poucas linhas para explicar tal enredo, atado, como deve ser, entre uma e outra fita. Esta coluna inclusive abordou os dois primeiros filmes tempos atrás. Celine (Julie Delpy) e Jesse (Ethan Hawke) se conhecem num metrô na Europa e 'ficam' naquele dia. Nove anos depois, por acaso, se reencontram e não se sabe, ao fim, se acabaram juntos ou não. Nestas duas tramas, as conversas e provocações entre ambos são esplendorosas. Só o diretor Linklater roteirizou o primeiro. Nos demais, teve a companhia de Julie (o segundo) e da atriz e de Hawke (terceiro). O que mais prende a atenção é o carisma dos atores. É incrível a combinação e a vontade de acertar. 'Antes da Meia-Noite' cumpre o dever. Neste que promete ser último encontro, Celine e Jesse estão casados, quarentões, e têm duas filhas gêmeas. Vivem em Paris, mas viajam pela Grécia. Ele tem um filho de outro casamento, tenta ser bom pai. Ela quer aceitar a oferta de emprego.

Nos primeiros minutos eles conversam acerca de quase tudo. Falam da vida em geral, estão a par dos acontecimentos e discutem sobre viagens. As gêmeas dormem no banco traseiro. Depois, são três grandes cenas que fazem parte da obra. Eles num almoço com amigos que não viam há anos (ali também a conversa enche a cena, temas como traições e amizades são postas na mesa); eles nas ruas gregas, igualmente no embate de ideias (relacionamentos etc) e, por fim, no quatro de hotel. É neste instante que o calor da discussão fica mais quente. Há frustrações postas à prova, decepções atiradas cara a cara e argumentos fracos e fortes que balançam na gangorra da confiança mútua e do amor, se este for fiel e autêntico. Jesse se penaliza por conta do filho. E ser um excelente pai para ele é mais do que fundamental. Celine quer convencê-lo de que o casamento está por um fio. Não se entendem de jeito nenhum. Ele, fora o filho, se preocupa em ser um escritor (romancista) de sucesso. A qualidade da paciência da dupla se parece pouquíssimo, quase nada. Semelhantemente a 'Antes do Pôr-do-Sol', o desfecho é uma incógnita. Isto é bom. Na fita de 2004, a cena derradeira mostra Celine e Jesse nos embalos da cantora Nina Simone. No do ano passado, todavia, soa mais sensível e romântico. Meloso não diria. Os desencontros da vida fazem com que tenham aprendido, pois 18 anos não são 18 dias.

Aliás, as filmagens de 'Antes da Meia-Noite' duraram, coincidência ou não, 18 dias. Richard Linklater propôs a Julie e Ethan reatar o projeto e eles toparam. Inicialmente, o roteiro seria rodado em São Francisco (EUA), mas o diretor optou pela Grécia por conta de sua atmosfera filosófica e sua história. Uma curiosidade: a equipe de filmagem foi à Europa sem avisar o que faria lá. Então os fãs viram os atores perambulando por lá, as câmeras e tudo o mais e aí borbulharam os boatos de que as fitas 'Antes' teriam continuação. Durante a conferência em Berlim, Linklater observou que os nove anos de diferença entre uma filmagem e outra permitiu que os protagonistas aprofundassem mais os trabalhos de construção das personagens. Disto, veio a evidente, óbvia pergunta: haverá continuação após os três longas-metragens? O cineasta respondeu: dentro de cinco a seis anos começará a pensar no assunto. Está claro: Linklater tem a mística com o número nove quando se trata de juntar Ethan Hawke e Julie Delpy. Em 2022, podem esperar e me cobrem depois, será lançado o quarto trabalho do trio. A média dos nove anos - 1995, 2004, 2013 e provavelmente 2022 -fará com que R. Linklater seja comparado, bem torpe, notem, com François Truffaut e seu Antoine Doinel (o ator Jean-Pierre Léaud), personagem que o acompanhou por anos. Serão 27 anos! Tomara que aconteça. De verdade.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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