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Publicado em 09/03/2015 às 10h12
Duelos de agora


RODRIGO ROMERO

A Academia de Artes deslizou ao não indicar ao Oscar 2015 o jovem diretor Damien Chazelle, de 'Whiplash: Em Busca da Perfeição' (2014). Ele tinha 28 anos quando realizou o longa que conta a história de Andrew (Miles Teller), adolescente aficionado por bateria e aspirante a entrar em um dos maiores conservatórios dos EUA, o fictício Shaffer, e ter aulas com o exigente Terence Fletcher (J. K. Simmons). Não só isso. Andrew deseja ser o melhor de sua geração e fará de tudo para realizar o seu sonho. Do outro lado, Fletcher, impiedoso, arrogante, exigente, quer arrancar dos pupilos algo mais, nem que para tanto seja necessário humilhar, desdenhar, praticamente pisar em quem quer que seja.

'Whiplash' deve muito a Chazelle. Em 2013, o curta-metragem de mesmo nome dava mostras do teor da trama. Alguns atores foram modificados pra o longa. Teller e Simmons carregam o drama nos ombros e isto é de responsabilidade do diretor, deveras. A carga potente de veracidade das cenas dá o tom do que o espectador verá na tela. Caso fosse outro, senão Chazelle, a comandar a estratégia, não sei se o resultado seria igual. A característica vale principalmente a Simmons, que está magnífico na pele do torturador de almas. O jovem também, mas com talvez proposital menos intensidade. Se ficamos com pena dele na primeira parte, descobrimos o ódio na segunda, com consequências ruins.

O filme encampa bem a fase da competição acirrada que se dá hoje em dia entre os humanos. Um quer se sobressair ao outro, sem medir o problema em questão. Andrew deixa de lado a paquera, Nicole (Melissa Benoist), e tem atritos com o pai, Jim (Paul Reiser). Tudo por conta das baquetas. O sangue que sai das mãos representa simultaneamente o esforço e também a raiva de frustrações, por não conseguir ser como o Buddy Rich, seu ídolo. Solitário e escanteado, chega um momento do filme em que Andrew pretende largar tudo, porém um fato altera previsões (ele chega inclusive a trabalhar em fast-food). A quem viu, o desfecho cheira a 'Cisne Negro' (2010), com teor e sofrimento idênticos.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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