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Publicado em 31/08/2015 às 10h19
Disto também se vive


RODRIGO ROMERO

De cadeira de rodas, o diretor John Huston dava as instruções ao elenco de 'Os Vivos e os Mortos'. A cena é imaginada por mim, mas provavelmente, ou melhor, certamente, ocorreu. J. Huston, doente e prestes a completar 81 anos, não deixou o projeto se romper por 'sua culpa'. Morreria a 28 de agosto de 87, não a tempo de ver a estreia, em 17 de dezembro. A história, baseada em obra de James Joyce, versa sobre o nada, ao mesmo tempo em que as tempestades da desgraça, das verdades, dão as caras.

No sexto dia de 1904, em Dublin, na Irlanda, a turma de amigos celebra o Dia de Reis... Na casa das irmãs Morgan - Julia (Cathlenn Delany) e Kate (Helena Carroll) - é oferecida uma ceia. Há sarau de música e de poesia. E no fim da celebração, quando boa parte dos convidados havia saído, o barítono Bartell (Frank Patterson) começa a cantar uma melodia triste e depressiva... Gretta (Anjelica Huston, filha de John, o diretor), ao ouvir, se recorda de uma antiga paixão que morreu. Gabriel, seu marido, surpreso com a reação inesperada, indaga-a acerca do ocorrido. A roda de desabafos se inicia então.

'Os Vivos e os Mortos' vai além. Tal como 'Assassinato em Gosford Park' (2001) e 'A Festa de Babette' (1987), a película de Huston explora as qualidades e as feições escuras dos humanos. No drama, com a neve a todo o vapor, os convidados divagam sobre a morte, as perdas, a vida e as lembranças de um tempo ido, no qual a maioria era mais feliz e podia se amoldar a quaisquer rupturas e desassossegos.

As Morgan são velhas e solteironas e amam a cultura erudita. E em torno delas, no evento, celebram-se gente de vasta sapiência. As elucubrações finais de Gabriel servem de arca e são J.Joyce na veia. O público que ama o cinema se sente conquistado no instante do black derradeiro. Disto também vive a sétima arte. O esforço de Huston pra domar a enfermidade e a contagiante perseverança de sua filha vendo o pai naquelas condições, ainda assim dando show de profissionalismo nos sets, dão margem a emoções fortes que não dominam o longa-metragem. Eles obtiveram um tremendo dum resultado.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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