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Publicado em 22/05/2020 às 14h51
Convidado indevido


RODRIGO ROMERO

'O Pensionista' (1927, também chamado no Brasil de 'O Inquilino Sinistro') marca a primeira aparição de Alfred Hitchcock em seus filmes. E neste, no caso, são 2: de costas, logo no início, em um tom mais escuro, e depois já bem visível, acompanhando a prisão ao lado d'outros curiosos.

O cineasta inglês viu aí (ele só topou porque um figurante faltou no dia da filmagem) o chamariz a ser também atração das suas fitas. Até que notou que as aparições atrapalhavam o público.

A imersão, profundo entendimento, das experiências, dos enredos, ficou em segundo plano. O espectador ficava atento a descobrir quando ele surgiria na história. O Mestre do Suspense decidiu que se mostraria nos instantes iniciais. E assim todos esqueceriam a fixação nele e passariam a reparar melhor nas tramas propostas.

Poderiam dizer que estavam felizes, relaxadas, aliviadas. Hitchcock (ufa!) já havia aparecido. O barco seguia seu rumo. Em 'O Pensionista', um serial killer comete assassinatos de mulheres loiras. Neste ínterim, Jonathan Drew, em uma noite fria e monótona, chega ao pequeno hotel comandado pelo casal Bouting, e aluga um quarto.

Drew tem hábitos estranhos. Por exemplo: sai às ruas nas noites nevoentas. A foto de uma moça de cabelos dourados repousa em seu quarto. Por coincidência, Daisy, a filha dos Bouting, é loira, modelo e noiva de Joe Chandler, detetive que está bastante incomodado com a presença do misterioso sujeito na pensão.

O longa é baseado no livro 'O Inquilino', de Marie Belloc Lowndes, lançado em 1913. A obra é baseada nos crimes de Jack, o Estripador e a adaptação do Mestre do Suspense foi a primeira a ser levada às telonas.

O filme, aliás, tem uma das cenas mais modernas da época, de efeitos especiais - os passos dados pelo suspeito no andar de cima, onde a câmera, de baixo, pega as solas dos sapatos, como se o chão fosse transparente.

No livro 'Hitchcock-Truffaut', o diretor explica que usou espelhos de vidros bem grossos para conseguir a imagem desejada. O curioso é que ao rever 'O Pensionista' nos deparamos com uma espécie de terror e densidade que veríamos em sucessivos trabalhos do Mestre do Suspense nas décadas seguintes de sua carreira vitoriosa.

Os temperos que integram o sabor da trama estão à vontade neste longa: a suspeita do assassino, a depuração do humor na medida certa, as sequências de tirar o fôlego etc. Hitchcock era gênio, palavra esta hoje em dia tão desgastada com quem não merece nem a alcunha de 'razoável'. Duração: 75 minutos. Cotação: ótimo.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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